MetLife Stadium, palco da final do Mundial de Clubes de 2025. Foto: Wikimedia Commons

Mundial de Clubes: quem tem título, quem não tem e a decisão da Fifa que mudou a conta

Palmeiras tem Mundial? O do Flamengo vale? Dez fatos sobre o torneio, a decisão do Conselho da Fifa em 2017 e como foi a primeira edição com 32 clubes, em 2025.

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Redação Futemais
6 min de leitura

⚡️ Leitura dinâmica

  • Em 27 de outubro de 2017, o Conselho da Fifa reconheceu os campeões da Copa Intercontinental entre 1960 e 2004 como campeões mundiais.
  • A decisão tornou oficiais os títulos de Santos, Flamengo, Grêmio e São Paulo, mas não alcançou a Copa Rio de 1951 do Palmeiras.
  • A primeira edição com 32 clubes foi disputada nos Estados Unidos em 2025 e terminou com o Chelsea campeão sobre o Paris Saint-Germain.
  • O torneio deixou de ser anual e passou a acontecer a cada quatro anos, com a próxima edição prevista para 2029.

O Mundial de Clubes tem uma característica que nenhum outro torneio da Fifa tem: metade das discussões sobre ele é sobre o que conta como título. Palmeiras tem mundial? O do Flamengo vale? Por que o Corinthians tem dois e o São Paulo tem três?

As respostas existem, e passam por uma decisão específica tomada pela Fifa em 2017. Este texto reúne dez fatos sobre o torneio que explicam a confusão, e traz o que aconteceu na primeira edição com 32 clubes, disputada em 2025.

1. A decisão de 2017 que mudou a conta de todo mundo

Em 27 de outubro de 2017, numa reunião realizada na Índia, o Conselho da Fifa reconheceu os campeões da Copa Intercontinental como campeões mundiais. A decisão valeu para todos os vencedores do torneio entre 1960 e 2004.

Isso reescreveu a lista de campeões mundiais brasileiros de uma vez. Passaram a contar oficialmente:

  • Santos, em 1962 e 1963
  • Flamengo, em 1981
  • Grêmio, em 1983
  • São Paulo, em 1992 e 1993

Antes dessa decisão, a Fifa tratava o Mundial de Clubes, criado em 2000, como uma competição distinta da Intercontinental. Depois dela, as duas viraram a mesma linhagem.

2. O mundial do Flamengo é reconhecido

Sim. O Flamengo venceu a Copa Intercontinental de 1981, em partida única no Estádio Nacional de Tóquio, batendo o Liverpool por 3 a 0, com dois gols de Nunes e um de Adílio, todos no primeiro tempo.

Esse título estava dentro da faixa coberta pela decisão de 2017, então é reconhecido pela Fifa como título mundial. A discussão que persiste entre torcedores não é sobre o reconhecimento, que existe, mas sobre se um jogo único contra o campeão europeu equivale a um torneio com clubes de seis continentes.

3. Por que a pergunta sobre o Palmeiras continua de pé

O caso do Palmeiras é diferente, e é por isso que a piada sobreviveu à decisão de 2017.

O título que o clube reivindica é a Copa Rio de 1951, um torneio internacional disputado no Brasil. Ele não é a Copa Intercontinental, e portanto ficou fora do alcance da decisão do Conselho da Fifa, que tratou especificamente dos campeões intercontinentais entre 1960 e 2004.

Vale registrar sem torcida: o Palmeiras venceu um torneio internacional real em 1951, com clubes europeus no chaveamento. O que não aconteceu foi o enquadramento dele como título mundial pela Fifa, que é uma questão de decisão administrativa, não de mérito esportivo.

💡 Curiosidade

O Fluminense venceu a Copa Rio no ano seguinte, em 1952, batendo o Corinthians na final. É o mesmo torneio que o Palmeiras havia vencido em 1951, e o Fluminense nunca reivindicou título mundial por causa dele. Os dois clubes têm exatamente o mesmo troféu e fazem leituras opostas do que ele significa.

4. O Corinthians é o único brasileiro com dois títulos do formato moderno

Considerando apenas o Mundial de Clubes da Fifa criado em 2000, o Corinthians é o único clube brasileiro com dois títulos: a primeira edição, em 2000, disputada no Brasil, e a de 2012, no Japão, contra o Chelsea.

Outros brasileiros venceram o formato moderno uma vez cada: São Paulo em 2005, Internacional em 2006, Corinthians novamente em 2012 e Flamengo em 2019 chegou à final e perdeu para o Liverpool.

5. O torneio mudou de tamanho várias vezes

A primeira edição, em 2000, teve oito clubes. Depois o torneio foi suspenso, voltou em 2005 com seis participantes e ficou assim por quase duas décadas, num formato enxuto em que o campeão da Libertadores e o da Champions entravam direto na semifinal.

Esse desenho pequeno é a raiz de outra queixa comum: o campeão europeu jogava dois jogos e levava a taça, o que reduzia o torneio a pouco mais do que a antiga final intercontinental com etapas preliminares.

6. A edição de 2025 mudou tudo de escala

A primeira Copa do Mundo de Clubes com 32 times foi disputada nos Estados Unidos, de 14 de junho a 13 de julho de 2025. Foi a 21ª edição do torneio e a primeira em formato de Copa do Mundo, com fase de grupos e mata-mata.

O Chelsea foi campeão, batendo o Paris Saint-Germain na final. Para o clube inglês, foi o segundo título mundial, depois do de 2021.

7. Como foram os brasileiros em 2025

O Brasil levou quatro clubes: Palmeiras, Flamengo, Fluminense e Botafogo. O desempenho foi melhor do que a maioria previa.

Nas oitavas de final houve inclusive um confronto brasileiro: Palmeiras 1 a 0 Botafogo. O Fluminense eliminou a Internazionale por 2 a 0, e o Flamengo caiu diante do Bayern de Munique por 4 a 2.

O Fluminense foi o que chegou mais longe, alcançando a semifinal, dois anos depois de ganhar a Libertadores. Contamos essa trajetória em a história do Fluminense, de 1902 à Libertadores de 2023.

8. O novo Mundial acontece de quatro em quatro anos

Esta é a mudança que menos se comenta e que mais muda o valor do título. O torneio deixou de ser anual: o formato de 32 clubes é quadrienal, como a Copa do Mundo de seleções. A próxima edição está prevista para 2029.

Na prática, isso significa que ser campeão mundial de clubes passou a ser um feito muito mais raro. No modelo anterior, havia um campeão por ano. No novo, um a cada quatro.

9. Os critérios de classificação deixaram de ser só o título continental

No formato antigo, entrava quem tinha vencido a competição continental daquele ano. No modelo de 32, a vaga passou a considerar também desempenho acumulado ao longo de um ciclo de quatro anos, medido por um ranking de clubes.

Foi assim que clubes sem título continental recente entraram na edição de 2025. É um critério que favorece a consistência sobre o feito isolado, e que amplia o peso das ligas mais fortes na composição da lista.

10. Ásia e África seguem sub-representadas no quadro de campeões

Em mais de sessenta anos de disputa, contando Intercontinental e Mundial, o título praticamente só circulou entre Europa e América do Sul. Clubes africanos e asiáticos chegaram a finais, mas a lista de campeões segue concentrada nos dois continentes tradicionais.

A ampliação para 32 clubes foi justificada, em parte, para mudar isso. A primeira edição no novo formato não alterou o quadro: Chelsea e PSG, dois clubes europeus, fizeram a final.

Perguntas frequentes sobre o Mundial de Clubes

O Palmeiras tem Mundial?

Não pelo critério da Fifa. O clube venceu a Copa Rio de 1951, um torneio internacional real, mas ele não é a Copa Intercontinental, e ficou fora da decisão de 2017 que reconheceu os campeões intercontinentais como campeões mundiais.

O Mundial do Flamengo de 1981 vale?

Sim. A Copa Intercontinental de 1981, vencida sobre o Liverpool por 3 a 0 em Tóquio, está dentro da faixa reconhecida pela Fifa na decisão de 27 de outubro de 2017.

Quais clubes brasileiros são campeões mundiais?

Santos, em 1962 e 1963; Flamengo, em 1981; Grêmio, em 1983; São Paulo, em 1992, 1993 e 2005; Corinthians, em 2000 e 2012; e Internacional, em 2006.

Quem ganhou o Mundial de Clubes de 2025?

O Chelsea, que venceu o Paris Saint-Germain na final. Foi a primeira edição com 32 clubes, disputada nos Estados Unidos entre 14 de junho e 13 de julho de 2025.

De quanto em quanto tempo acontece o Mundial de Clubes agora?

A cada quatro anos. O torneio deixou de ser anual quando adotou o formato de 32 clubes, e a próxima edição está prevista para 2029.

Como um clube se classifica para o Mundial?

Além do título continental, o novo formato considera o desempenho acumulado num ciclo de quatro anos, medido por um ranking de clubes. Foi assim que times sem conquista continental recente entraram na edição de 2025.

A confusão sobre quem tem mundial e quem não tem nasce de uma coisa simples: a Fifa mudou o próprio critério em 2017 e passou a reconhecer retroativamente uma competição que antes tratava como outra coisa. Quem estava dentro da faixa de 1960 a 2004 entrou. Quem tinha título de fora dela, como o Palmeiras em 1951, ficou onde estava.

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