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Fluminense: a história do clube das Laranjeiras, de 1902 à Libertadores de 2023
A trajetória completa do Fluminense: origens em 1902, o tetracampeonato brasileiro, a queda à Série C, o Maracanã, Xerém, o pó de arroz e o primeiro título da Libertadores, em 2023.
⚡️ Leitura dinâmica
- História completa do Fluminense, do time fundado por Oscar Cox em 1902 ao campeão da Copa Libertadores de 2023.
- Traz os títulos conferidos um a um: 4 brasileiros, 33 cariocas, Copa do Brasil de 2007, Copa Rio de 1952, Libertadores de 2023 e Recopa de 2024.
- Corrige erros que circulam sobre o clube, como o placar do Fla-Flu de 194 mil pessoas e o autor do gol do título de 1984.
- Explica a origem do apelido Pó de Arroz, que nasceu de uma provocação racista em 13 de maio de 1914.
A história do Fluminense Football Club é feita de tradição e de reviravolta em doses parecidas. Fundado em 1902 por Oscar Cox, o clube das Laranjeiras foi um dos pilares da introdução do futebol no Brasil, caiu até a terceira divisão nos anos 1990 e, em 2023, aos 121 anos, ganhou a Copa Libertadores pela primeira vez.
Este texto percorre essa trajetória inteira: as conquistas nacionais e internacionais, a relação com o Maracanã, os clássicos, os ídolos, a torcida, Xerém, a evolução tática e o papel social e político do clube. Os números, datas e placares foram conferidos um a um, porque parte do que circula sobre o Fluminense na internet está errada, inclusive placares de jogos históricos.
História do Fluminense: das origens ao presente
O Fluminense Football Club foi fundado em 21 de julho de 1902 por Oscar Cox, filho de inglês, que havia voltado da Europa com a bola e as regras debaixo do braço. O clube se consolidou rápido como um dos principais do Rio de Janeiro: venceu o primeiro Campeonato Carioca, em 1906, e mais três seguidos.
Em 1952, o Fluminense conquistou a Copa Rio, torneio internacional disputado no Rio e em São Paulo, batendo o Corinthians na final. Em 1970 veio o primeiro título nacional, a Taça de Prata, reconhecida como o Campeonato Brasileiro daquele ano.
O episódio mais duro da história do clube veio nos anos 1990, e a sequência é mais complicada do que o resumo habitual sugere. Em 1996, o Fluminense terminou o Brasileiro em zona de rebaixamento, mas a CBF reverteu a decisão e o manteve na Série A. Em 1997, caiu de novo, e dessa vez a queda valeu. Em 1998, disputando a Série B, ficou entre os seis piores da primeira fase e foi rebaixado à Série C. Em 1999, foi campeão da Série C. E voltou ao primeiro nível em 2000 por um caminho torto: a Série B daquele ano não aconteceu por causa de disputas judiciais, o Campeonato Brasileiro foi substituído pela Copa João Havelange, e o Fluminense foi convidado para o Módulo Azul, o equivalente à elite.
De lá para cá, o clube reconstruiu o patrimônio esportivo: Copa do Brasil em 2007, Campeonatos Brasileiros em 2010 e 2012, e a Libertadores de 2023, no Maracanã, contra o Boca Juniors.
Entre o rebaixamento à Série C, decidido em 1998, e o título da Copa Libertadores, em 2023, passaram-se 25 anos. Nenhum outro campeão continental brasileiro subiu de tão baixo em tão pouco tempo de história recente.
Conquistas nacionais e internacionais do Fluminense
O Fluminense reúne uma coleção que mistura títulos do início do futebol brasileiro, quando o Campeonato Carioca era o torneio mais importante do país, com conquistas do século XXI. É um dos clubes com mais estaduais do Brasil e, desde 2023, campeão da América.
| Competição | Títulos | Anos |
|---|---|---|
| Copa Libertadores | 1 | 2023 |
| Recopa Sul-Americana | 1 | 2024 |
| Copa Rio (torneio internacional) | 1 | 1952 |
| Campeonato Brasileiro | 4 | 1970, 1984, 2010, 2012 |
| Copa do Brasil | 1 | 2007 |
| Torneio Rio-São Paulo | 2 | 1957, 1960 |
| Campeonato Brasileiro Série C | 1 | 1999 |
| Campeonato Carioca | 33 | de 1906 a 2023 |
Primeiras conquistas nacionais
O clube começou vencendo no Rio. Campeão carioca em 1906, no primeiro campeonato oficial do estado, o Fluminense emendou 1907, 1908 e 1909, e voltou a vencer em 1911. Na época, não havia competição nacional: o Carioca e o Paulista eram os campeonatos que definiam os grandes.
O primeiro título de alcance nacional veio em 1970, com a Taça de Prata, formato que a CBF reconhece como Campeonato Brasileiro. O time chegou ao título no mesmo ano em que a Seleção venceu a Copa do México, com o futebol brasileiro no auge do prestígio mundial.
O tetracampeonato brasileiro
O Fluminense conquistou o Campeonato Brasileiro quatro vezes: 1970, 1984, 2010 e 2012. Cada título tem uma história própria, e nenhum dos quatro se parece com o outro.
1970: o início de uma era
A Taça de Prata de 1970 foi o primeiro troféu nacional do clube e colocou o Fluminense no mapa de um Brasil que ainda estava aprendendo a organizar um campeonato de âmbito nacional. Até aquele momento, um clube grande era grande dentro do próprio estado, e as comparações entre cariocas e paulistas se resolviam no Torneio Rio-São Paulo, que o Fluminense já havia vencido em 1957 e 1960.
A competição de 1970 reunia clubes de várias federações num formato que a CBF só depois passaria a chamar de Campeonato Brasileiro. Vencer ali significava, pela primeira vez, ser campeão do país inteiro, e não do Rio de Janeiro. Foi a partir dali que o Fluminense passou a ser medido em escala nacional.
1984: a consagração
Este é o título que a torcida conta de cor, e é também um dos mais mal contados por aí. A final foi contra o Vasco, em dois jogos. No primeiro, em 24 de maio de 1984, com mais de 63 mil pessoas, o Fluminense venceu por 1 a 0. O gol foi de Romerito, depois de um cruzamento preciso de Assis. No jogo seguinte, o 0 a 0 diante de 128.781 pessoas no Maracanã confirmou o bicampeonato brasileiro.
O time era comandado por Carlos Alberto Parreira e tinha Paulo Victor, Ricardo Gomes, Duílio, Tato, Delei, Assis, Washington e Romerito. Vale registrar a correção, porque a versão que circula costuma dar o gol a Assis: quem cruzou foi Assis, quem marcou foi Romerito.
2010 e 2012: a volta ao topo
Em 2010, sob o comando de Muricy Ramalho, o Fluminense voltou a ser campeão brasileiro 26 anos depois, com Darío Conca como o grande nome da campanha. Em 2012, o título veio de novo, dessa vez com Abel Braga no banco e Fred no ataque. São dois técnicos diferentes, e essa distinção costuma se perder nos textos sobre o clube.
No Campeonato Carioca, o Fluminense soma 33 títulos, o último deles em 2023. Em 2026, o clube foi vice, perdendo a decisão para o Flamengo nos pênaltis. Os estaduais formam a espinha dorsal da história do clube: entre 1906 e 1946 foram 15 conquistas, num período em que vencer o Carioca era o teto do futebol brasileiro.
Conquistas internacionais
Aqui está a mudança mais importante na história recente do Fluminense, e o motivo pelo qual qualquer texto sobre o clube escrito antes de novembro de 2023 ficou desatualizado de uma hora para outra.
O clube tinha, desde 1952, a Copa Rio, torneio internacional vencido sobre o Corinthians na final. Mas a taça continental que a torcida perseguia havia décadas só chegou em 2023. E, no meio do caminho, houve duas finais perdidas para o mesmo adversário equatoriano.
Copa Libertadores
Em 2008, o Fluminense chegou à final da Libertadores e perdeu nos pênaltis para a LDU, do Equador, numa decisão no Maracanã que ficou como a maior frustração recente do clube.
Quinze anos depois, em 4 de novembro de 2023, o Fluminense venceu o Boca Juniors por 2 a 1, no Maracanã, e conquistou a Copa Libertadores pela primeira vez. Germán Cano abriu o placar, o Boca empatou, e o jogo foi para a prorrogação. Aos 99 minutos, John Kennedy pegou de primeira e decidiu. O time era treinado por Fernando Diniz.
O título deu ao clube vaga na Copa do Mundo de Clubes de 2023, onde o Fluminense chegou à final e perdeu para o Manchester City, e na Recopa Sul-Americana de 2024.
Copa Sul-Americana
Em 2009, o Fluminense chegou à final da Copa Sul-Americana e perdeu de novo para a LDU. Duas finais continentais em dois anos, as duas contra o mesmo adversário, as duas sem a taça.
A conta foi acertada em 2024, na Recopa Sul-Americana, que reúne o campeão da Libertadores e o campeão da Sul-Americana. O adversário era, mais uma vez, a LDU. Dessa vez o Fluminense venceu e conquistou o segundo título internacional de sua história, dezesseis anos depois da decisão de 2008.
A LDU eliminou ou derrotou o Fluminense em duas finais continentais, em 2008 e 2009. O clube carioca só conseguiu virar esse jogo em 2024, quando venceu justamente a LDU na Recopa Sul-Americana, com a taça da Libertadores já no armário.
A visão atual e o futuro
Em 2025, o Fluminense disputou a nova Copa do Mundo de Clubes da Fifa, com 32 times, nos Estados Unidos, e chegou à semifinal, onde perdeu por 2 a 0 para o Chelsea, em 8 de julho, no MetLife Stadium. Foi a melhor campanha de um clube que, sete anos antes, sequer era considerado favorito no próprio estado.
O desafio do clube hoje é o mesmo de quase todo grande brasileiro: sustentar competitividade continental com receita menor que a dos rivais, apoiado num elenco que mistura veteranos experientes e jogadores formados na base. É o que faz de Xerém, mais do que um centro de treinamento, uma peça do plano financeiro.
O Maracanã e a relação com o Fluminense
O Fluminense nasceu nas Laranjeiras e construiu ali o primeiro grande estádio do futebol brasileiro. Mas foi no Maracanã que o clube escreveu a maior parte dos capítulos que a torcida guarda. A relação é longa, e nem sempre confortável.
Inauguração do Maracanã e o Fluminense
O Maracanã foi inaugurado em 1950, para a Copa do Mundo. Desde os primeiros anos, o Fluminense passou a mandar ali seus jogos grandes, mantendo as Laranjeiras para partidas menores e para a vida social do clube.
A migração mudou a escala. O estádio das Laranjeiras foi, na década de 1920, o palco de finais de Sul-Americano de seleções; o Maracanã era outra coisa, com capacidade para públicos que nenhum estádio do mundo comportava. Para um clube com torcida crescente, a mudança abriu espaço físico e simbólico.
Grandes jogos e títulos no Maracanã
O Campeonato Carioca de 1951 foi o primeiro título estadual do Fluminense na era do Maracanã, com Castilho no gol, e ajudou a firmar o estádio como casa do clube.
Em 1984, o Maracanã recebeu a partida que confirmou o bicampeonato brasileiro, com 128.781 pessoas nas arquibancadas para o 0 a 0 contra o Vasco. Foi um dos maiores públicos já registrados numa decisão de Campeonato Brasileiro.
Em 2007, o Fluminense conquistou a Copa do Brasil pela primeira e única vez, sobre o Figueirense. O primeiro jogo da final foi no Rio, mas o título foi confirmado fora de casa: 1 a 0 no Orlando Scarpelli, em Florianópolis, em 6 de junho de 2007. A conquista garantiu a vaga na Libertadores de 2008, torneio que renderia a final contra a LDU.
E em 2023 veio o jogo que faltava: a final da Libertadores contra o Boca Juniors, decidida na prorrogação, no Maracanã lotado. Depois de mais de setenta anos jogando ali, o clube finalmente ergueu uma taça continental em casa.
Fla-Flu: o clássico no Maracanã
O Maracanã é o palco natural do Fla-Flu, e guarda o maior público da história do futebol de clubes. Em 15 de dezembro de 1963, 194.603 pessoas assistiram a Flamengo e Fluminense, sendo 177.020 pagantes. É o terceiro maior público da história do futebol, atrás apenas de Brasil e Uruguai em 1950 e Brasil e Paraguai em 1954, e o maior entre clubes.
Aqui vale outra correção que se repete em textos sobre o clube: aquele jogo terminou 0 a 0, e o título do Campeonato Carioca de 1963 ficou com o Flamengo, que encerrava um jejum de sete anos. O Fluminense não venceu por 3 a 0 nem por placar nenhum. O que ficou daquele dia foi o público, não o resultado.
O Fla-Flu que a torcida tricolor guarda com carinho é o de 1995, quando Renato Gaúcho marcou de barriga o gol do título carioca, num lance que virou uma das imagens mais repetidas do futebol brasileiro.
A reforma do Maracanã e o impacto no Fluminense
O estádio passou por reformas pesadas para a Copa do Mundo de 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016. A capacidade caiu, o custo de operação subiu e o modelo de gestão mudou, o que obrigou os clubes cariocas a negociar o uso.
Hoje o Maracanã é administrado por um consórcio formado por Flamengo e Fluminense. A convivência gerou debates públicos sobre datas, receitas e prioridades, mas manteve o estádio como casa dos dois clubes, o que já foi motivo de disputa aberta na década passada.
A torcida tricolor e o Maracanã
A torcida do Fluminense construiu no Maracanã boa parte de sua identidade visual e sonora: as bandeiras tricolores, o pó de arroz nas arquibancadas, a festa antes dos clássicos. Em decisões, o estádio vira um argumento a mais do time.
Nos anos de crise, essa presença foi o que sustentou o clube. Quando o Fluminense caiu para a terceira divisão, no fim dos anos 1990, a torcida seguiu enchendo estádio para ver jogos contra adversários que nunca tinha ouvido falar. É uma das histórias que explicam por que o clube não desapareceu naquele período.
Rivais do Fluminense: Fla-Flu e outros clássicos
O futebol carioca é feito de rivalidades cruzadas, e o Fluminense está em todas elas. Cada clássico tem origem, apelido e temperatura própria.
O Fla-Flu: um clássico histórico
O Fla-Flu nasceu de uma cisão. Em 1911, um grupo de jogadores deixou o Fluminense após um desentendimento interno e foi criar um time de futebol no Clube de Regatas do Flamengo, que até então só remava. O primeiro confronto oficial entre os dois aconteceu em 7 de julho de 1912, com vitória do Fluminense por 3 a 2.
O nome do clássico é obra do jornalista Mário Filho, o mesmo que dá nome ao Maracanã. Foi ele quem transformou o encontro em evento e o batizou com a contração que pegou. Passados mais de cem anos, o confronto já ultrapassou 400 partidas e continua sendo o clássico mais assistido do Rio.
Fluminense x Vasco: o Clássico dos Gigantes
O confronto com o Vasco tem carga própria. Foi contra o Vasco que o Fluminense decidiu o Campeonato Brasileiro de 1984, e é contra o Vasco que se dão alguns dos jogos mais tensos do calendário carioca.
Historicamente, a rivalidade também carrega uma diferença de origem social: enquanto o Fluminense nasceu ligado à elite carioca, o Vasco se tornou símbolo da inclusão de negros e trabalhadores no futebol brasileiro dos anos 1920. Sobre isso, vale ler a história de como o Vasco enfrentou o racismo do futebol carioca e construiu São Januário.
Clássico Vovô: Fluminense x Botafogo
É o clássico mais antigo do Brasil. Fluminense e Botafogo se enfrentaram pela primeira vez em 22 de outubro de 1905, num amistoso vencido pelo Fluminense por 6 a 0. O primeiro confronto oficial foi em 13 de maio de 1906, pelo Campeonato Carioca, com goleada tricolor de 8 a 0, que segue sendo o placar mais elástico da história do duelo.
Ao longo de mais de 380 jogos, o Fluminense mantém vantagem no histórico, com folga estreita. Nos anos 1950 e 1960, o Botafogo viveu sua era de ouro com Garrincha e Nilton Santos, enquanto o Fluminense tinha Castilho e Telê Santana. O apelido de Clássico Vovô vem exatamente daí: são os dois clubes de futebol mais antigos entre os grandes do Rio.
Outras rivalidades brasileiras
Fora do Rio, as rivalidades do Fluminense são construídas por confrontos decisivos, não por vizinhança. Contra o Internacional, ficou a final da Copa do Brasil de 1992, perdida no Beira-Rio. Contra o Paulista de Jundiaí, a final de 2005, também perdida. Contra o Figueirense, a final de 2007, essa vencida.
Com o Palmeiras, a rivalidade se acendeu nos anos 2010, com decisões diretas de Campeonato Brasileiro. E com o Boca Juniors nasceu, em 2023, um capítulo novo: a final da Libertadores que o Fluminense venceu no Maracanã.
Vale registrar que o Fluminense não disputou a final da Copa do Brasil de 1997 contra o Grêmio, informação que aparece com frequência em textos sobre o clube. As três finais de Copa do Brasil do Fluminense foram em 1992, 2005 e 2007. A decisão de 1997 foi entre Grêmio e Flamengo.
Ídolos do Fluminense: do passado ao presente
O Fluminense atravessou o século XX com gerações muito distintas de ídolos, do goleiro que jogou vinte anos ao paraguaio que ficou cinco e decidiu um título brasileiro.
Castilho: o guardião da meta
Carlos Castilho é o maior recordista da história do clube. Defendeu o Fluminense de 1946 a 1965 e disputou 697 partidas, mais do que qualquer outro jogador com a camisa tricolor. Em 255 delas, não sofreu gol.
A história que o define aconteceu em 1957. Castilho fraturou o dedo mínimo da mão e recebeu o diagnóstico: dois meses de recuperação. Preferiu amputar o dedo, porque com a amputação a recuperação cairia para duas semanas, e ele não queria perder os jogos decisivos do Fluminense. Foi campeão carioca em 1951, 1959 e 1964, do Rio-São Paulo em 1957 e 1960, e da Copa Rio de 1952.
Castilho também foi bicampeão mundial pela Seleção Brasileira, em 1958 e 1962, como reserva. Ele está entre os poucos jogadores brasileiros com duas taças de Copa do Mundo que quase nunca aparecem nas listas populares de campeões.
Romerito: o craque paraguaio
Julio César Romero, o Romerito, nasceu em Luque, no Paraguai, em 1960, e já era campeão da Copa América de 1979 quando chegou ao Fluminense, em 1983. Ficou até 1988 e virou ídolo em tempo recorde.
Foi ele quem marcou o gol que decidiu o Campeonato Brasileiro de 1984 contra o Vasco, aquele que boa parte dos textos atribui ao Assis. Naquele ano, Romerito levou a Bola de Prata da revista Placar. Também foi campeão carioca com o Fluminense em 1984 e 1985.
Telê Santana: o técnico e o jogador
Antes de ser o treinador da Seleção de 1982 e 1986, Telê Santana foi ponta-direita do Fluminense na década de 1950, num período em que dividiu vestiário com Castilho. Foi um dos jogadores mais técnicos do elenco daquele tempo.
A ligação com o clube nunca se desfez, e o hotel do centro de treinamento de Xerém leva o nome dele. É uma homenagem que fecha o círculo: o clube que o revelou como jogador batizou com o nome dele a estrutura onde forma os próximos.
Rivellino: o reforço de peso
Em 1975, o Fluminense fez uma das contratações mais barulhentas da história do futebol brasileiro: tirou Roberto Rivellino do Corinthians. Rivellino era campeão do mundo em 1970 e o camisa 10 mais famoso do país.
Ele foi o centro da equipe que a torcida chama de Máquina Tricolor, e ficou no clube até 1978, conquistando os Campeonatos Cariocas de 1975 e 1976. Sua cobrança de falta e o chute de perna esquerda continuam sendo referência para quem estudou aquele futebol.
Fred: o artilheiro contemporâneo
Fred chegou em 2009 e virou o rosto do Fluminense da década. Foi protagonista dos títulos brasileiros de 2010 e 2012, com uma característica que o distingue dos outros ídolos da lista: marcava gols decisivos em série, na reta final de campeonato.
Depois de passagens por Atlético-MG e Cruzeiro, voltou em 2022 para encerrar a carreira no clube, e se despediu em outubro daquele ano, no Maracanã. É o segundo maior artilheiro da história do Fluminense.
Thiago Silva: Xerém exporta talentos
Thiago Silva começou nas categorias de base do Fluminense, passou por clubes menores e pelo futebol europeu e voltou ao clube em 2006, num momento em que sua carreira parecia encerrada por uma tuberculose contraída na Rússia. Foi no Fluminense que ele se reconstruiu, antes de ir para o Milan e depois para o Paris Saint-Germain e o Chelsea.
Em 2024, Thiago Silva voltou ao Fluminense, com 39 anos, para jogar no clube que o formou. É a trajetória que melhor resume o papel de Xerém: forma, exporta e, às vezes, recebe de volta.
A lista de ídolos do clube não para aí. Marcelo, formado em Xerém antes de virar um dos maiores laterais da história do Real Madrid, também voltou ao Fluminense na reta final da carreira e estava no elenco campeão da Libertadores de 2023. Gerson e Pedro, hoje no Flamengo, também saíram da base tricolor.
A torcida tricolor: paixão e identidade
A torcida do Fluminense tem uma característica rara no futebol brasileiro: transformou uma ofensa racista em símbolo de orgulho, e leva esse símbolo para o estádio até hoje.
Origens da torcida tricolor
Nas primeiras décadas, a torcida do Fluminense era formada principalmente pela elite carioca, o que rendeu ao clube o apelido de time da alta sociedade. Com a popularização do futebol a partir dos anos 1930, a composição mudou, e o clube passou a ter torcida em todas as faixas de renda do Rio e em outros estados.
O Fla-Flu: rivalidade e emoção
O Fla-Flu é o momento em que a torcida tricolor se apresenta por inteiro, com bandeirões, mosaicos e o pó de arroz nas arquibancadas. E é aí que aparece a história mais importante da identidade do clube.
Em 13 de maio de 1914, o jogador Carlos Alberto, negro, estreou pelo Fluminense justamente contra o América, seu ex-clube. Ele tinha o hábito de passar pó de arroz no rosto depois de se barbear. A torcida adversária percebeu e passou a gritar pó de arroz como provocação racista durante toda a partida.
A torcida do Fluminense fez o caminho contrário do esperado: adotou a provocação. O pó de arroz virou símbolo do clube, jogado no ar nas entradas em campo, e hoje é uma das tradições mais reconhecíveis do futebol brasileiro. A data não é coincidência: 13 de maio é o dia da abolição da escravatura no Brasil.
O Fluminense marca o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, relembrando a origem do apelido de Pó de Arroz. O clube trata o episódio de 1914 não como folclore engraçado, mas como registro do racismo que existia nas arquibancadas do futebol carioca.
Torcidas organizadas
As duas maiores organizadas do Fluminense nasceram no mesmo ano, com um mês de diferença. A Força Flu foi fundada em 25 de novembro de 1970, inspirada numa faixa da torcida italiana vista na Copa do México, com os dizeres Forza Itália. A Young Flu foi fundada em 12 de dezembro de 1970, por um grupo de amigos estudantes, e é hoje a maior organizada do clube. Existe ainda a Bravo 52, entre outras.
Como acontece em todo o futebol brasileiro, as organizadas oscilam entre o papel de motor da festa e o de problema de segurança pública, e o Fluminense já teve organizada afastada dos estádios por decisão judicial.
O Maracanã e a força da torcida
Foi no Maracanã que a torcida tricolor viu os quatro títulos brasileiros, a Copa do Brasil e a Libertadores. Também foi ali que assistiu à derrota nos pênaltis para a LDU em 2008, que ficou como a ferida aberta até 2023.
A influência da torcida na identidade do clube
O Fluminense é um clube associativo, com eleições de presidente e conselho, o que dá ao sócio poder real sobre os rumos da instituição. Isso torna a pressão da torcida menos abstrata do que em clubes com estrutura empresarial: ela vira voto.
Nos últimos anos, o programa de sócio-torcedor cresceu e passou a ser fonte relevante de receita, o que aumentou ainda mais o peso do torcedor nas decisões do clube.
A formação de talentos: Xerém e as categorias de base do Fluminense
Xerém virou sinônimo de base do Fluminense, mas é, antes de tudo, um bairro de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O centro de treinamento fica lá, e a metonímia pegou.
O surgimento de Xerém
O terreno onde funciona o centro de treinamento foi cedido ao clube pela União: a escritura foi assinada em 21 de julho de 1981, aniversário do Fluminense, durante o governo de João Figueiredo. A área pertencia à Associação dos Timoneiros da Marinha e era administrada pelo Serviço do Patrimônio da União.
O Centro de Treinamento Vale das Laranjeiras tem cerca de 120 mil metros quadrados, sete campos, sendo um de grama sintética, alojamentos e um hotel batizado de Telê Santana. O primeiro campo foi projetado com paisagismo de Roberto Burle Marx, o mesmo do calçadão de Copacabana.
Processo de captação e desenvolvimento
A captação envolve uma rede de olheiros que percorre o país e avaliações periódicas. Quem vem de fora do Rio fica alojado, e o clube assume a responsabilidade legal de garantir escola, alimentação e acompanhamento médico e psicológico, exigências previstas no contrato de formação desportiva.
As categorias vão do sub-11 ao sub-20, com competições estaduais, a Copa São Paulo de Futebol Júnior e o Campeonato Brasileiro Sub-20. É na virada do sub-17 para o sub-20 que a maior parte das decisões de carreira acontece.
Os nomes que Xerém revelou
A lista é longa e internacional. Thiago Silva, Marcelo, Gerson e Pedro saíram da base tricolor. Antes deles, Xerém já formava para o time principal, mas foi a partir dos anos 2000 que o centro virou fornecedor regular do mercado europeu.
Cabe uma distinção que costuma se perder: nem todo jogador que o Fluminense vendeu com lucro foi formado no clube. Richarlison, por exemplo, chegou do América-MG em 2016, jogou pouco mais de uma temporada e foi negociado com o Watford. Foi um bom negócio de mercado, não um caso de formação.
O papel de Xerém no futuro do clube
Para um clube que compete com orçamentos maiores, a base não é romantismo, é modelo de negócio. Formar e vender é o que permite ao Fluminense montar elenco competitivo sem receita de gigante.
O desafio é a concorrência. Clubes europeus e grandes brasileiros observam atletas cada vez mais cedo, e o tempo que um jovem tem para amadurecer diminuiu. Manter Xerém atrativo, hoje, significa competir por adolescentes de 14 anos com estruturas que pagam mais.
O estilo de jogo do Fluminense ao longo das décadas
Poucos clubes brasileiros tiveram identidades táticas tão marcadas e tão diferentes entre si quanto o Fluminense. A leitura por décadas ajuda a entender por que o time de 1976 e o de 2023 são lembrados pelo mesmo adjetivo, mas por motivos opostos.
O estilo de jogo inicial, de 1902 a 1930
Nos primeiros anos, o futebol brasileiro copiava o inglês, e a formação padrão era o 2-3-5: dois defensores, três médios e cinco atacantes. O Fluminense jogava assim porque todo mundo jogava assim, e porque foi um dos clubes que trouxeram o manual do jogo para o país.
O que diferenciava o time daquele período era a estrutura, não a tática. O clube tinha campo próprio, arquibancada e organização, num tempo em que a maioria dos adversários jogava em terrenos improvisados.
O impacto do futebol profissional, de 1930 a 1960
Com a profissionalização, na década de 1930, o jogo ficou mais organizado defensivamente em todo o Brasil, e o Fluminense acompanhou. O clube foi campeão carioca em 1936, 1937 e 1938, e de novo em 1940, 1941 e 1946, num dos períodos mais consistentes de sua história.
Nos anos 1950, com Castilho no gol e Telê Santana na ponta, o time equilibrou solidez e transição rápida, e foi campeão carioca em 1951 e da Copa Rio em 1952, contra o Corinthians. Foi também nessa década que o Fluminense venceu o Torneio Rio-São Paulo em 1957 e 1960.
A era da Máquina Tricolor, nos anos 1970
A Máquina Tricolor é o time mais lembrado da história do clube, e mais um ponto em que os textos costumam errar. Ela não foi comandada por Didi: os técnicos do período foram Paulo Emílio, em 1975, e Mário Travaglini, em 1976.
O elenco era o mais caro montado no Brasil até então. Em 1975 chegaram Rivellino, vindo do Corinthians, e Carlos Alberto Torres, capitão do tricampeonato mundial, repatriado do Santos. Depois vieram Doval, Dirceu, Paulo Cézar Caju, Gil, Edinho, Rodrigues Neto e Pintinho. O time era ofensivo, tecnicamente superior e jogava com posse de bola numa época em que isso não era vocabulário corrente.
A Máquina rendeu os Campeonatos Cariocas de 1975 e 1976 e uma reputação continental construída em amistosos contra grandes clubes europeus. Não rendeu título nacional, o que alimenta até hoje a discussão sobre times que jogaram mais do que ganharam.
Anos 1980: o pragmatismo que deu títulos
A década de 1980 foi o oposto tático da anterior, e foi a mais vitoriosa. Sob Carlos Alberto Parreira, o Fluminense de 1984 era organizado, equilibrado e eficiente, com Ricardo Gomes na zaga e Romerito para resolver os jogos.
O resultado foi o Campeonato Brasileiro de 1984 e os Cariocas de 1983, 1984 e 1985, três seguidos. É a prova de que, no Fluminense, o time mais bonito e o time mais campeão nem sempre são o mesmo.
Os anos 2000 e a evolução tática
Nos anos 2000, o clube alternou entre o 4-4-2 e o 4-2-3-1, buscando solidez defensiva e explorando transições. Os dois títulos brasileiros da década seguinte vieram desse modelo: em 2010, com Muricy Ramalho e Conca como maestro, e em 2012, com Abel Braga e Fred como referência de área.
Foram campanhas de regularidade, não de espetáculo. O time de 2012 liderou o Brasileirão de pontos corridos por boa parte da competição e fechou com folga sobre o segundo colocado. Sobre como o jogo mudou nesse intervalo, temos um panorama de como as táticas do futebol evoluíram do kick and rush ao jogo de posição.
O Fluminense atual e as inovações táticas
Fernando Diniz assumiu o Fluminense pela primeira vez em 2019 e voltou em 2022, e foi na segunda passagem que seu modelo virou assunto nacional. O que se convencionou chamar de dinizismo é um jogo de aproximações: os jogadores se juntam perto da bola, criam superioridade numérica local e avançam por tabelas curtas, em vez de ocupar posições fixas no campo.
O estilo divide opinião, porque expõe o time a contra-ataques. Mas foi com ele que o Fluminense ganhou o Campeonato Carioca de 2022 e 2023 e, em novembro de 2023, a Copa Libertadores. Em 2023, Diniz acumulou o cargo no clube com o comando interino da Seleção Brasileira, situação inédita no futebol nacional recente.
A importância social do Fluminense no futebol brasileiro
O Fluminense é um dos clubes que introduziram o futebol no Brasil, e por isso está no centro das duas histórias que o esporte carrega no país: a da elite que trouxe o jogo e a da popularização que tirou o jogo das mãos dela.
Um clube com raízes no Rio de Janeiro
Fundado nas Laranjeiras, zona sul do Rio, o Fluminense nasceu num contexto de modernização urbana e reunia a elite carioca. O estádio das Laranjeiras foi o primeiro grande estádio do país e recebeu, em 1919, a final do Campeonato Sul-Americano vencida pelo Brasil, além de partidas históricas da Seleção antes da existência do Maracanã.
Projetos sociais e formação de talentos
Xerém fica na Baixada Fluminense, uma das regiões metropolitanas mais pobres do estado, e é ali que boa parte da função social do clube se materializa. Meninos que chegam de outras cidades e estados vivem alojados, e o clube é legalmente responsável por escola, alimentação e acompanhamento médico e psicológico durante toda a formação.
Vale dizer com honestidade: essa responsabilidade é uma exigência do contrato de formação desportiva previsto na Lei Pelé, não uma benesse. O que diferencia um clube formador de outro é a qualidade com que ela é cumprida.
Participação em eventos históricos
O Fluminense esteve no centro de momentos que definiram o futebol brasileiro: a organização dos primeiros campeonatos, a construção da cultura de clássico com o Fla-Flu batizado por Mário Filho e a ocupação do Maracanã como casa a partir de 1950. Sobre o estádio e o jogo que o marcou para sempre, vale ler o que foi o Maracanaço de 1950.
Futebol e sociedade: mais do que um esporte
A história do pó de arroz, de 1914, é o registro mais direto do racismo nas arquibancadas do futebol carioca dos primeiros anos. E é também um exemplo raro de reapropriação: a torcida transformou a ofensa em símbolo, o que não apaga a origem, mas muda o significado.
O clube trata o episódio como parte de sua história, e o relembra oficialmente no Dia da Consciência Negra. É uma postura diferente da de outras instituições, que preferem esquecer os capítulos incômodos da própria fundação.
O papel do Fluminense na construção da identidade cultural
As cores tricolores, o pó de arroz, o Fla-Flu e o Maracanã são elementos da cultura carioca antes de serem elementos de futebol. A rivalidade com o Flamengo, em particular, atravessou literatura, crônica e música, em boa parte por obra dos jornalistas que cobriam o Rio nos anos 1930 e 1940.
O impacto do Fluminense no futebol feminino
O departamento de futebol feminino do Fluminense foi anunciado em 11 de outubro de 2018, em parceria com o Daminhas da Bola, de Duque de Caxias. A criação atendeu a uma exigência da CBF e da Conmebol, que passou a valer em 2019: clube que disputa competição continental precisa ter equipe feminina.
Ou seja, o ponto de partida foi uma obrigação regulamentar, e não uma iniciativa espontânea, o que vale para a maioria dos grandes clubes brasileiros. O que veio depois é mérito do trabalho: em 2023, a equipe conquistou o acesso ao Campeonato Brasileiro Série A1 pela primeira vez. Para entender por que o futebol feminino brasileiro começou tão tarde na estrutura dos clubes, leia por que o futebol feminino foi proibido no Brasil.
Fluminense e a política: o clube e suas polêmicas
Como toda instituição centenária, o Fluminense atravessou regimes políticos diferentes e foi afetado por todos eles, às vezes como protagonista, na maior parte das vezes como parte do cenário.
O clube e o contexto histórico político
Nas primeiras décadas, o Fluminense era um clube da elite carioca, com dirigentes que circulavam entre o esporte, os negócios e a política da capital federal. Isso lhe deu influência nos bastidores da organização do futebol brasileiro num período em que as regras estavam sendo escritas.
Durante a ditadura militar, o futebol foi usado como instrumento de propaganda e de mobilização popular, e nenhum clube grande ficou fora dessa engrenagem. A cessão do terreno de Xerém pelo governo federal, em 1981, ainda no regime militar, é um exemplo concreto dessa proximidade entre clubes e poder público.
A abertura democrática e o Fluminense
Com a redemocratização, na década de 1980, cresceu no futebol brasileiro a discussão sobre gestão, transparência e participação dos sócios. No Fluminense, que é um clube associativo, esse debate tem endereço claro: as eleições internas, que definem presidência e conselho.
Polêmicas recentes: o caso da Portuguesa
Em 2013, o Fluminense terminou o Campeonato Brasileiro em zona de rebaixamento, mas permaneceu na Série A depois que a Portuguesa foi punida por escalação irregular do jogador Héverton e perdeu quatro pontos no tribunal. O caso dominou o noticiário e virou símbolo da judicialização do futebol brasileiro.
O episódio foi resolvido no STJD, dentro das regras, e não houve irregularidade do Fluminense. Ainda assim, ele alimenta até hoje a discussão sobre campeonatos decididos fora de campo. Contamos essa história completa em o que foi o tapetão no futebol e o que aconteceu com Fluminense e Portuguesa.
Outro episódio recente foi a pandemia de covid-19. Em 2020, o Fluminense se posicionou contra o retorno antecipado do Campeonato Carioca, junto com o Botafogo, enquanto a federação e outros clubes pressionavam pela volta. A postura gerou atrito institucional e virou tema político dentro e fora do futebol.
A relação com a política interna do clube
O modelo associativo do Fluminense faz das eleições internas um evento com campanha, chapa e disputa pública. Presidentes eleitos precisam sustentar maioria no conselho, e mudanças de gestão costumam mudar também a política esportiva do clube, o que ajuda a explicar oscilações de projeto ao longo dos anos.
Perguntas frequentes sobre o Fluminense
Quantos títulos brasileiros o Fluminense tem?
Quatro: 1970, 1984, 2010 e 2012. O de 1970 foi conquistado sob o nome de Taça de Prata.
O Fluminense já ganhou a Libertadores?
Sim, uma vez, em 2023. Venceu o Boca Juniors por 2 a 1 no Maracanã, em 4 de novembro, com gols de Germán Cano e John Kennedy, este aos 99 minutos da prorrogação. O clube havia perdido a final de 2008 para a LDU nos pênaltis.
Quantos títulos internacionais o Fluminense tem?
Dois de expressão continental e um internacional mais antigo: a Copa Libertadores de 2023, a Recopa Sul-Americana de 2024 e a Copa Rio de 1952, torneio internacional decidido contra o Corinthians.
Quantos Campeonatos Cariocas o Fluminense tem?
Trinta e três, o último em 2023. O primeiro veio em 1906, na primeira edição oficial do torneio.
Quem é o jogador que mais atuou pelo Fluminense?
O goleiro Castilho, com 697 partidas entre 1946 e 1965. Ele não sofreu gol em 255 delas.
Quem é o maior artilheiro da história do Fluminense?
Waldo, com 319 gols. Fred aparece em segundo, com 199.
Por que o Fluminense é chamado de Pó de Arroz?
Por causa de uma provocação racista. Em 13 de maio de 1914, o jogador Carlos Alberto, negro, enfrentou seu ex-clube, o América, e a torcida adversária o vaiou gritando pó de arroz, referência ao pó que ele usava no rosto depois de se barbear. A torcida do Fluminense adotou a expressão como símbolo próprio, e o pó de arroz virou tradição das arquibancadas.
O que é Xerém?
É o bairro de Duque de Caxias onde fica o Centro de Treinamento Vale das Laranjeiras, das categorias de base do Fluminense. O terreno foi cedido pela União ao clube em 21 de julho de 1981. Ali se formaram Thiago Silva, Marcelo, Gerson e Pedro, entre outros.
Qual é o clássico mais antigo do Brasil?
Fluminense e Botafogo, o Clássico Vovô. O primeiro jogo entre os dois foi um amistoso em 22 de outubro de 1905, vencido pelo Fluminense por 6 a 0. O primeiro confronto oficial aconteceu em 13 de maio de 1906, com 8 a 0 para o Fluminense, a maior goleada da história do clássico.
A história do Fluminense é, no fim, a história de um clube que ajudou a inventar o futebol brasileiro, quase desapareceu dele no fim dos anos 1990 e voltou para ganhar a América em 2023, com 121 anos. É raro um clube conseguir ser, ao mesmo tempo, tradição e reviravolta. O Fluminense conseguiu as duas coisas no mesmo século.
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