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O que foi o Milagre de Istambul, a virada do Liverpool na final da Champions de 2005

Em 25 de maio de 2005, o Liverpool perdia por 3 a 0 para o Milan na final da Champions e empatou em seis minutos, vencendo nos pênaltis. Relembre o Milagre de Istambul.

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Redação Futemais
3 min de leitura

⚡️ Leitura dinâmica

  • A final da Champions de 2005 foi disputada em 25 de maio, no Estádio Atatürk, em Istambul.
  • O Milan abriu 3 a 0 no primeiro tempo, com um gol de Maldini e dois de Crespo.
  • O Liverpool empatou em seis minutos na etapa final, com Gerrard, Šmicer e Xabi Alonso.
  • O goleiro Jerzy Dudek foi decisivo na prorrogação e nos pênaltis.
  • O Liverpool venceu por 3 a 2 nas penalidades e conquistou seu quinto título europeu.

Em 25 de maio de 2005, no Estádio Olímpico Atatürk, em Istambul, Liverpool e Milan se enfrentaram pela final da Liga dos Campeões da Europa diante de cerca de 69 mil pessoas. A partida terminou 3 a 3 e foi decidida nos pênaltis, com vitória inglesa por 3 a 2. O caminho até esse placar é o que transformou a noite em referência permanente do futebol: depois de sair perdendo por 3 a 0 ainda no primeiro tempo, o Liverpool empatou em apenas seis minutos na etapa final. A virada batizou o jogo como Milagre de Istambul.

Os dois times chegaram à decisão por trajetórias diferentes. O Milan de Carlo Ancelotti era o favorito, com um elenco que reunia Paolo Maldini, Andrea Pirlo, Kaká e Andriy Shevchenko, e vinha de campanhas sólidas na Europa. O Liverpool de Rafael Benítez tinha passado por sufoco desde a fase de grupos, quando precisou de um gol de Steven Gerrard nos minutos finais contra o Olympiacos apenas para seguir vivo na competição. Poucos apostavam no clube inglês para levantar a taça.

Dentro de campo, o favoritismo se confirmou rápido. Logo no primeiro minuto, o capitão Maldini apareceu na área para abrir o placar. Com Kaká conduzindo o meio de campo, os italianos controlaram o ritmo e ampliaram antes do intervalo: Hernán Crespo marcou aos 39 e aos 44 minutos, o segundo após enfiada precisa de Kaká. Aos 45, o 3 a 0 parecia encerrar qualquer discussão sobre o título. Mesmo assim, a torcida do Liverpool seguiu cantando nas arquibancadas durante o intervalo, cena que depois entrou para o relato daquela noite.

No vestiário, Benítez reorganizou o time. Colocou o volante Dietmar Hamann, reforçou o meio de campo e recompôs a marcação sobre Kaká, principal articulador milanista. A mudança não prometia virada, apenas tentava conter o estrago. O que veio em seguida fugiu de qualquer roteiro razoável.

Os seis minutos que mudaram a final

Aos 54 minutos, Gerrard subiu mais alto que a defesa e cabeceou para diminuir. Dois minutos depois, Vladimír Šmicer acertou um chute de fora da área e fez o segundo. Aos 60, Gerrard foi derrubado dentro da área e o árbitro marcou pênalti. Xabi Alonso cobrou, o goleiro Dida defendeu, mas o espanhol completou o rebote e empatou. Em seis minutos, o 3 a 0 virou 3 a 3, e o Milan, que administrava com folga, precisou reencontrar o próprio jogo no susto.

O restante do tempo normal e a prorrogação foram de pressão italiana. A defesa inglesa se fechou e contou com o goleiro Jerzy Dudek em um lance que resume a partida: aos 117 minutos, Shevchenko cabeceou à queima-roupa, Dudek defendeu, e no rebote imediato o atacante finalizou de novo, para nova defesa do polonês. A sequência é lembrada até hoje entre as melhores intervenções de um goleiro em finais europeias. O placar seguiu igual e a decisão foi para os pênaltis.

A decisão nos pênaltis

Antes das cobranças, Dudek repetiu um gesto que remetia a Bruce Grobbelaar na final de 1984: mexeu as pernas sobre a linha para desestabilizar os batedores. Serginho isolou a primeira cobrança do Milan por cima do gol e Pirlo teve a segunda defendida. Do lado do Liverpool, Hamann e Djibril Cissé converteram, enquanto John Arne Riise parou em Dida. Com o Milan ainda vivo após os gols de Tomasson e Kaká, coube a Šmicer bater a cobrança que colocou os ingleses à frente. Na sequência, Shevchenko precisava marcar, e Dudek defendeu de novo. O 3 a 2 nas penalidades deu ao Liverpool o quinto título europeu de sua história.

A conquista teve efeito prático além do troféu. Por vencer a competição sem estar classificado pelo Campeonato Inglês da temporada seguinte, o clube provocou uma discussão sobre as regras de acesso, resolvida pela Uefa com uma autorização específica para a defesa do título. Fora dos bastidores, ficou a imagem de Gerrard erguendo a taça e a constatação de que uma final dada como decidida havia mudado de mãos em pouco mais de meia hora de jogo.

Duas décadas depois, o Milagre de Istambul continua sendo citado sempre que um time busca uma reação improvável. Não por ter sido a partida mais bonita ou mais bem jogada, mas porque mostrou, de forma direta, que um 3 a 0 aos 45 minutos não garante nada. Para o torcedor do Liverpool, é a noite que se conta sem pressa. Para o do Milan, é a que se prefere não lembrar. Para o futebol, virou lembrete de que o jogo só acaba quando o árbitro apita.

Fontes: UEFA, Wikipédia e ESPN.

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