Foto: acervo Futemais
11 finais inesquecíveis da Copa Libertadores
De Santos e Pelé em 1962 à virada do Flamengo em Lima, onze decisões que marcaram a Libertadores, com o placar correto de cada uma e o gol que resolveu.
⚡️ Leitura dinâmica
- Onze finais da Copa Libertadores contadas com o placar da partida decisiva e o autor do gol do título.
- De 1962, no desempate em Buenos Aires, a 2025, com o quarto título do Flamengo em Lima.
- Cinco dessas decisões precisaram de um terceiro jogo em campo neutro, porque o regulamento antigo contava pontos, não saldo de gols.
- Duas finais que circulam com o placar errado em listas na internet aparecem aqui com o resultado conferido: 1987 e 1973.
A Copa Libertadores tem uma peculiaridade que nenhuma outra grande competição de clubes carrega: durante quase três décadas, empatar a final não levava a prorrogação nem a pênaltis. Levava a um terceiro jogo, em campo neutro, marcado às pressas. Cinco das onze decisões desta lista terminaram assim, com as duas equipes viajando para uma cidade que não era de ninguém para resolver a parada em noventa minutos.
Reunimos aqui onze finais que ficaram na memória do continente, do primeiro título do Santos de Pelé em 1962 à virada do Flamengo em Lima. Cada uma vem com o placar correto da partida decisiva, o autor do gol que resolveu e o contexto que transformou aquele jogo em história. Muita lista de Libertadores circula com escores trocados, e a diferença entre o que se repete e o que aconteceu costuma ser justamente o detalhe que faz a final valer a pena.
O regulamento antigo da Libertadores contava pontos, não saldo de gols. Se cada finalista vencesse uma partida, ninguém era campeão: era preciso um terceiro confronto em campo neutro. Foi assim em 1962, 1973, 1976 e 1987, todas nesta lista.
1. River Plate 3 x 1 Boca Juniors (2018): a final do Superclássico jogada em Madri
Em 2018, a maior rivalidade do futebol argentino chegou à final da Libertadores pela primeira vez, e o continente inteiro parou. O jogo de ida, na Bombonera, terminou 2 a 2. A volta, marcada para o Monumental de Núñez, nunca aconteceu no Monumental: o ônibus do Boca foi atacado por torcedores na chegada ao estádio, jogadores ficaram feridos, e a Conmebol acabou transferindo a decisão para o Santiago Bernabéu, em Madri.
A partida foi disputada em 9 de dezembro de 2018, a mais de dez mil quilômetros de Buenos Aires. Darío Benedetto abriu para o Boca aos 44 minutos, Lucas Pratto empatou aos 68, e o jogo foi para a prorrogação. Juan Fernando Quintero acertou um chute de fora da área aos 109, e Gonzalo Pity Martínez fechou em 3 a 1 no último lance, com o gol vazio, já nos acréscimos do tempo extra. Foi o quarto título do River.
2. São Paulo 1 x 0 Newell's Old Boys (1992): a primeira Libertadores do Tricolor, nos pênaltis
O São Paulo de Telê Santana perdeu o jogo de ida por 1 a 0, no Gigante de Arroyito, em Rosário. Na volta, em 17 de junho de 1992, com o Morumbi lotado, Raí cabeceou aos 32 minutos do primeiro tempo e devolveu o placar. Como o regulamento da época somava pontos, e não gols, o empate na série levou a decisão direto para as penalidades.
Zetti defendeu a cobrança de Gamboa, capitão argentino, que bateu rasteiro no canto esquerdo. O São Paulo venceu a série por 3 a 2 e conquistou a primeira Libertadores de sua história, abrindo o ciclo mais vitorioso do clube. Se você quer entender por que essa taça mexe tanto com clube brasileiro, vale ler como a Libertadores virou obsessão no futebol do Brasil.
3. Flamengo 2 x 1 River Plate (2019): a virada do Flamengo em Lima
Em 2019 a Conmebol adotou o jogo único, e a estreia do formato foi no Estádio Monumental de Lima, no Peru, em 23 de novembro. Lucas Pratto marcou para o River aos 14 minutos e o time argentino controlou a partida quase inteira.
Aos 89 minutos, Gabigol empatou. Dois minutos depois, aos 91, marcou de novo e virou. Em cerca de cento e vinte segundos, o Flamengo tirou o título do River e conquistou a segunda Libertadores de sua história, trinta e oito anos depois da primeira.
4. Cruzeiro 3 x 2 River Plate (1976): a decisão em Santiago
A final de 1976 exigiu três jogos. O Cruzeiro atropelou o River por 4 a 1 no Mineirão, o River devolveu 2 a 1 em Buenos Aires, e a série empatou em pontos. O desempate foi em 30 de julho, no Chile.
Nelinho abriu aos 24 minutos, Ronaldo ampliou aos 55, o River empatou em 2 a 2, e Joãozinho marcou aos 88 minutos o gol que deu ao Cruzeiro a primeira Libertadores de sua história. Foi também a primeira vez que um clube mineiro levantou a taça.
5. Peñarol 1 x 0 América de Cali (1987): o gol de Diego Aguirre aos 120 minutos
Esta é a final que mais aparece com o placar errado nas listas que circulam pela internet. O América de Cali venceu o jogo de ida por 2 a 0, em casa, no dia 21 de outubro. O Peñarol devolveu 2 a 1 no Centenário, em 28 de outubro, e forçou o terceiro jogo.
O desempate foi em 31 de outubro de 1987, no Estádio Nacional de Santiago. O jogo ficou 0 a 0 até o fim da prorrogação, e Diego Aguirre marcou já nos instantes finais do tempo extra. O placar da decisão foi 1 a 0, e não 4 a 2. Foi o quinto título do Peñarol e a terceira final perdida seguida do América de Cali.
O América de Cali chegou a quatro finais de Libertadores, em 1985, 1986, 1987 e 1996, e perdeu todas. É o maior finalista da história da competição sem nenhum título.
6. Santos 3 x 0 Peñarol (1962): a primeira taça do Santos de Pelé
O Santos venceu o jogo de ida por 2 a 1 em Montevidéu, em 28 de julho, e perdeu a volta por 3 a 2 na Vila Belmiro, em 2 de agosto. Terceiro jogo, então: 30 de agosto de 1962, no Estádio Monumental de Buenos Aires, com arbitragem do holandês Leo Horn e cerca de 60 mil pessoas.
Um gol contra aos 11 minutos abriu o placar para o Santos, e Pelé marcou duas vezes no segundo tempo. O 3 a 0 deu ao clube a primeira Libertadores de sua história e abriu o ciclo que faria daquele time o mais admirado do mundo na década.
7. Independiente 2 x 1 Colo-Colo (1973): a final que o Chile ainda contesta
Outra decisão que costuma aparecer com o placar trocado. O jogo de ida, em 22 de maio, terminou 1 a 1 em La Doble Visera. A volta, em 29 de maio, no Estádio Nacional do Chile, ficou 0 a 0. O desempate foi em 6 de junho de 1973, no Centenário, em Montevidéu, e precisou de prorrogação.
Mario Mendoza e Miguel Ángel Giachello marcaram para o Independiente, Carlos Caszely descontou para o Colo-Colo, e o placar final foi 2 a 1. Foi o quarto título dos argentinos e o segundo de quatro conquistados em sequência, entre 1972 e 1975, série que ninguém repetiu. A imprensa chilena acusou a arbitragem na época, e Caszely repete a acusação até hoje.
8. Atlético Nacional 2 x 0 Olimpia e 5 a 4 nos pênaltis (1989): a noite de Higuita
O Olimpia venceu o jogo de ida por 2 a 0, em Assunção. A volta foi em 31 de maio de 1989, no El Campín, em Bogotá, e não em Medellín, com cerca de 50 mil pessoas. Um gol contra do zagueiro Fidel Miño e um cabeceio de Albeiro Palomo Usurriaga devolveram o placar.
A disputa de pênaltis que veio depois entrou para o folclore da competição: foram dezoito cobranças até alguém errar de vez. René Higuita fez a noite da vida dele, e Leonel Álvarez converteu a cobrança que fechou o 5 a 4. Foi o primeiro título de um clube colombiano na Libertadores. Para entender por que decisões assim dependem tanto de dez metros e meio, leia sobre a origem e as regras da disputa por pênaltis.
9. Grêmio 1 x 0 e 2 x 1 no Lanús (2017): a terceira do tricolor gaúcho
Na ida, em 22 de novembro de 2017, na Arena, Cícero marcou aos 82 minutos e deu ao Grêmio o 1 a 0. Na volta, em 29 de novembro, em La Fortaleza, em Buenos Aires, Fernandinho abriu aos 27 e Luan ampliou aos 42, com um gol de categoria. José Sand descontou de pênalti aos 71.
O 2 a 1 fora de casa fechou o agregado em 3 a 1 e deu ao Grêmio a terceira Libertadores, depois de 1983 e 1995. Luan foi eleito o melhor jogador da competição.
10. Boca Juniors 0 x 0 Palmeiras e 4 a 2 nos pênaltis (2000): a noite de Óscar Córdoba
Boca e Palmeiras empataram em 2 a 2 na Bombonera, em 14 de junho, e em 0 a 0 no Morumbi, em 21 de junho. A decisão foi para as penalidades diante da torcida palmeirense.
Óscar Córdoba defendeu as cobranças de Faustino Asprilla e Roque Júnior e garantiu o 4 a 2. O goleiro colombiano contou anos depois que tinha estudado em vídeo o canto preferido de cada batedor do Palmeiras. Foi o terceiro título do Boca, o primeiro desde 1978, e o começo da era Carlos Bianchi, que renderia mais duas taças em quatro anos.
11. Corinthians 2 x 0 Boca Juniors (2012): o Timão campeão invicto
Depois do 1 a 1 na Bombonera, a decisão foi para o Pacaembu, em 4 de julho de 2012. Emerson Sheik marcou duas vezes e deu ao Corinthians a primeira Libertadores de sua história, encerrando o tabu que mais incomodava a torcida.
O título veio sem nenhuma derrota em catorze partidas, feito raro na competição. Além do peso esportivo, a conquista mudou a régua do clube: no fim daquele ano, o Corinthians seria campeão mundial em Tóquio.
Campanhas invictas na Libertadores são raríssimas. Além do Corinthians em 2012, conseguiram o feito Peñarol (1960), Santos (1963), Independiente (1964), Estudiantes (1969 e 1970), Boca Juniors (1978) e Flamengo (2022).
Como foram as últimas finais da Libertadores
A tabela abaixo traz as decisões mais recentes, com o placar da partida que definiu o título. A partir de 2019 a final passou a ser em jogo único, em sede definida com antecedência.
| Ano | Campeão | Vice | Decisão |
|---|---|---|---|
| 2025 | Flamengo | Palmeiras | 1 a 0, em Lima |
| 2024 | Botafogo | Atlético-MG | 3 a 1, em Buenos Aires |
| 2023 | Fluminense | Boca Juniors | 2 a 1, no Maracanã |
| 2022 | Flamengo | Athletico Paranaense | 1 a 0, em Guayaquil |
| 2021 | Palmeiras | Flamengo | 2 a 1, em Montevidéu |
| 2020 | Palmeiras | Santos | 1 a 0, no Maracanã |
| 2019 | Flamengo | River Plate | 2 a 1, em Lima |
| 2018 | River Plate | Boca Juniors | 3 a 1, em Madri |
| 2017 | Grêmio | Lanús | 3 a 1 no agregado |
| 2016 | Atlético Nacional | Independiente del Valle | 2 a 1 no agregado |
| 2015 | River Plate | Tigres | 3 a 0 no agregado |
| 2014 | San Lorenzo | Nacional (PAR) | 2 a 1 no agregado |
Perguntas frequentes sobre as finais da Libertadores
Qual time venceu mais vezes a Libertadores?
O Independiente, da Argentina, com sete títulos: 1964, 1965, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1984. O apelido de Rei de Copas vem daí. Em seguida vêm Boca Juniors, com seis, e Peñarol, com cinco.
Quem tem mais títulos da Libertadores no Brasil?
O Flamengo, com quatro taças: 1981, 2019, 2022 e 2025. Ao vencer o Palmeiras em Lima, em 29 de novembro de 2025, o clube carioca se tornou o primeiro brasileiro a chegar a quatro títulos na competição.
Quem chegou mais vezes à final da Libertadores?
O Boca Juniors, com onze finais disputadas e seis títulos. É também o clube que mais perdeu decisões: cinco.
Qual é o maior vice da Libertadores?
O América de Cali, da Colômbia, que chegou a quatro finais, em 1985, 1986, 1987 e 1996, sem nunca levantar a taça.
Qual foi a maior virada de uma final da Libertadores?
A do Flamengo sobre o River Plate em 2019. O time argentino vencia por 1 a 0 até os 88 minutos, e o Flamengo virou com dois gols de Gabigol em cerca de dois minutos. Em finais decididas em três jogos, a virada do Peñarol sobre o América de Cali em 1987 também é candidata: os uruguaios perderam o primeiro jogo por 2 a 0 e ainda assim ficaram com o título.
Quais times foram campeões invictos da Libertadores?
Peñarol em 1960, Santos em 1963, Independiente em 1964, Estudiantes em 1969 e 1970, Boca Juniors em 1978, Corinthians em 2012 e Flamengo em 2022. São oito campanhas, de sete clubes diferentes, já que o Estudiantes repetiu o feito em anos seguidos.
Por que algumas finais antigas tiveram três jogos?
Porque o regulamento contava pontos, não saldo de gols. Cada vitória valia dois pontos e cada empate valia um. Se as duas equipes terminassem a série empatadas em pontos, o título ia para um terceiro jogo em campo neutro, e não para os pênaltis. Foi o que aconteceu em 1962, 1973, 1976 e 1987. Se o assunto é como funcionam as fases de ida e volta, temos um guia sobre jogo de ida, jogo de volta e mata-mata.
Qual foi a primeira final da Libertadores em jogo único?
A de 2019, entre Flamengo e River Plate, no Estádio Monumental de Lima. Desde então o formato se manteve, com a sede escolhida antes do início da competição.
Essas onze decisões contam, juntas, boa parte da história da Libertadores: o regulamento que obrigava um terceiro jogo, os desempates em campo neutro, a chegada dos pênaltis, a final que precisou atravessar o Atlântico e, por fim, o jogo único que virou padrão. O que não mudou foi o peso da taça no continente.
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