David Ruddell / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A cabeçada de Zidane: como terminou a última partida de um dos maiores da história

Na final da Copa de 2006, aos 110 minutos, Zinedine Zidane foi expulso por uma cabeçada em Marco Materazzi. Foi a última partida da carreira dele.

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Redação Futemais
4 min de leitura

⚡️ Leitura dinâmica

  • Na final da Copa de 2006, Zinedine Zidane foi expulso aos 110 minutos por uma cabeçada em Marco Materazzi.
  • O quarto árbitro viu o lance num monitor de TV e avisou o árbitro principal pelo rádio.
  • A Itália venceu nos pênaltis por 5 a 3 e conquistou seu quarto título mundial.
  • Materazzi só revelou em 2016 que o comentário que motivou a reação foi sobre a irmã de Zidane.
  • Mesmo expulso na final, Zidane foi eleito o melhor jogador do torneio.

Era a última partida da carreira de Zinedine Zidane. O meia francês, um dos melhores jogadores da história, havia anunciado a aposentadoria antes mesmo da Copa do Mundo de 2006 começar. Zidane já havia se afastado da seleção francesa em 2004, mas voltou especialmente para a Copa de 2006, disputando o que todos sabiam ser sua última competição, tanto pela França quanto na carreira em geral, e chegou à final, contra a Itália, em Berlim, sabendo que aquele seria seu último jogo como profissional, vencesse ou perdesse. O que ninguém esperava era o jeito como essa despedida terminaria: com uma expulsão por cabeçada, aos 34 anos, na decisão de um Mundial.

Uma final equilibrada até os pênaltis

O jogo já estava 1 a 1 desde o primeiro tempo, e seguia empatado na prorrogação. Zidane, criativo como sempre, era a principal referência ofensiva da França. Foi nesse contexto, aos 110 minutos de jogo, que aconteceu o momento que ficaria marcado para sempre na história das Copas.

Até ali, Zidane vinha sendo o grande nome do torneio para a França. Ele havia marcado um gol de pênalti logo nos primeiros minutos daquela final e, ao longo da competição, decidira partidas importantes nas fases eliminatórias, incluindo diante de Espanha e Brasil, o que reforçava ainda mais a expectativa de um final de carreira glorioso.

O zagueiro italiano Marco Materazzi segurou a camisa de Zidane por trás, dentro da própria área italiana, enquanto os dois corriam lado a lado. Zidane parou, deu alguns passos, virou-se de frente para Materazzi e, sem aviso, desferiu uma cabeçada forte no peito do adversário, que caiu no gramado. A bola, àquela altura, já tinha seguido em direção ao ataque francês, e boa parte do estádio nem percebeu o lance no calor do jogo.

💡 Curiosidade

O árbitro argentino Horacio Elizondo e seus assistentes não viram o lance ao vivo. Quem identificou a cabeçada foi o quarto árbitro, o espanhol Luis Medina Cantalejo, que assistiu à cena num monitor de televisão à beira do campo e avisou Elizondo pelo rádio.

O cartão vermelho que fechou a carreira

Avisado pelo quarto árbitro, Elizondo parou o jogo, foi até Zidane e mostrou o cartão vermelho direto. O camisa 10 francês deixou o gramado passando ao lado da taça da Copa do Mundo, sem olhar para ela, numa cena que se tornaria uma das imagens mais repetidas da história do futebol. A França, já sem seu principal jogador, teve que disputar o restante da prorrogação com um homem a menos.

O jogo seguiu empatado até o fim, e a decisão foi para os pênaltis. A Itália converteu todas as suas cobranças, enquanto o francês David Trezeguet acertou a trave na única cobrança perdida da disputa. Resultado: Itália 5 a 3 nos pênaltis, o quarto título mundial italiano, o primeiro desde a conquista de 1982, na Espanha.

O motivo da cabeçada, revelado anos depois

Na hora, o motivo do desentendimento não ficou claro. Correu a informação de que Materazzi teria ofendido a mãe de Zidane, mas o próprio Materazzi negou essa versão publicamente. Só em 2016, dez anos depois, o zagueiro italiano confirmou que o comentário havia sido sobre a irmã de Zidane, não sobre a mãe, encerrando de vez a dúvida que pairava desde a noite da final.

A punição da FIFA veio na sequência: o Comitê Disciplinar da entidade aplicou a Zidane uma suspensão de três jogos (cumprida simbolicamente, já que ele se aposentava) e uma multa de 6 mil dólares. Curiosamente, apesar da expulsão e do fim melancólico, Zidane foi eleito o melhor jogador do torneio, recebendo a Bola de Ouro da Copa, prêmio que reconhece o destaque individual mesmo com o desfecho controverso.

💡 Curiosidade

Zidane venceu a Bola de Ouro da Copa de 2006 mesmo tendo sido expulso na final e nem sequer disputado a decisão por pênaltis. É um dos poucos casos na história em que o melhor jogador do torneio termina a competição de forma tão abrupta.

A cena da cabeçada se tornou, com o tempo, quase independente do resultado da partida. Vira e mexe reaparece em compilações, memes e homenagens, quase sempre mais lembrada do que o próprio título italiano daquele ano. Para Zidane, encerrou uma carreira de conquistas (incluindo o título mundial de 1998 e a Eurocopa de 2000 pela França) com uma imagem que ele próprio, anos depois, admitiu carregar com misturas de arrependimento e aceitação, mas nunca de negação: o lance aconteceu, ele foi expulso, e aquele foi o seu último minuto como jogador profissional.

A carreira de Zidane em clubes seguia à altura do que ele fez pela seleção. Ele havia sido peça central no título mundial da França em 1998, quando marcou dois gols de cabeça na final contra o Brasil, e na conquista da Eurocopa de 2000. Passou por Juventus e Real Madrid, clube pelo qual marcou um dos gols mais lembrados da história da Liga dos Campeões, de voleio, na final de 2002. A Copa de 2006 seria, portanto, o capítulo final de uma trajetória de títulos, e não por acaso o gesto que a encerrou virou tão simbólico: um dos jogadores mais admirados de sua geração saindo de campo pela porta dos fundos, expulso, na própria despedida.

Fontes: FIFA e Wikipedia.

Este conteúdo pode ter sido produzido com auxílio de inteligência artificial e passou por curadoria jornalística da redação Futemais.

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