Wikimedia Commons, domínio público

O troféu que foi roubado duas vezes: a história da taça Jules Rimet

O troféu Jules Rimet foi furtado em Londres, em 1966, e recuperado por um cachorro. Em 1983, desapareceu de novo no Rio de Janeiro e nunca mais foi encontrado.

Logo Futemais
Redação Futemais
4 min de leitura

⚡️ Leitura dinâmica

  • O troféu Jules Rimet foi roubado em Londres em março de 1966, meses antes da Copa do Mundo.
  • Um cachorro chamado Pickles encontrou a taça embrulhada, uma semana depois, em Londres.
  • Em dezembro de 1983, o troféu foi roubado de novo, da sede da CBF no Rio de Janeiro.
  • Dessa vez a taça nunca foi recuperada, e o caso segue sem solução definitiva.
  • Desde 1974 a Copa do Mundo usa um novo modelo de troféu, diferente da Jules Rimet.

A história da Copa do Mundo guarda um episódio digno de filme policial, com direito a sequência. O troféu original do torneio, batizado de Jules Rimet em homenagem ao ex-presidente da FIFA que idealizou a competição, foi roubado não uma, mas duas vezes ao longo do século 20. Na primeira, foi salvo por um cachorro. Na segunda, desapareceu de vez.

1966: a taça some em Londres, semanas antes da Copa

Em março de 1966, faltando poucos meses para a Copa do Mundo na Inglaterra, o troféu Jules Rimet estava em exposição pública dentro de um armário de vidro, durante uma mostra de selos raros no Central Hall, em Westminster, Londres. No domingo, 20 de março de 1966, a taça foi furtada em plena luz do dia, direto da vitrine.

O caso virou um escândalo nacional. A Inglaterra sediaria o torneio dali a poucos meses e corria o risco de não ter o próprio troféu que entregaria ao campeão. A polícia britânica investigou por dias sem sucesso algum, e chegou-se a cogitar fabricar uma réplica às pressas para o caso de o original nunca ser recuperado. A pressão era grande: a Inglaterra seria a anfitriã do torneio, e a possibilidade de entregar a Copa do Mundo sem o próprio troféu virou um pequeno constrangimento nacional, amplamente coberto pela imprensa britânica da época.

💡 Curiosidade

Diante do sumiço da taça, a FIFA e os organizadores da Copa de 1966 realmente mandaram fazer uma cópia da Jules Rimet, por segurança, sem saber se a original apareceria a tempo do torneio.

O cachorro que resolveu o caso

Uma semana depois do furto, em 27 de março de 1966, um morador chamado David Corbett passeava com seu cachorro, um vira-lata chamado Pickles, no bairro de Beulah Hill, no sul de Londres. Pickles parou para farejar um embrulho jogado embaixo de uma cerca, próximo à casa de Corbett. Dentro do pacote, envolto em jornal velho e amarrado com barbante, estava o troféu Jules Rimet, intacto.

Corbett reconheceu a peça pelos nomes gravados na base e acionou a polícia. O caso vinha rendendo tanta expectativa que Pickles se tornou uma pequena celebridade: foi convidado para o banquete de comemoração quando a Inglaterra, semanas depois, venceu a própria Copa de 1966 em casa. Corbett, por sua vez, recebeu uma recompensa de quase 5 mil libras da época (o equivalente a dezenas de milhares de libras em valores atuais), dinheiro que usou para comprar uma casa no ano seguinte. Pickles ganhou fama duradoura: apareceu em programas de televisão, estampou capas de revista, e seu nome segue associado ao caso até hoje, décadas depois do episódio.

Réplica do troféu Jules Rimet, entregue aos campeões da Copa do Mundo até 1970
Réplica do troféu Jules Rimet, desenhado pelo escultor francês Abel Lafleur. O original foi roubado em 1966 (e recuperado) e novamente em 1983 (nunca recuperado). Imagem: Wikimedia Commons, domínio público.

1983: o desaparecimento definitivo, no Rio de Janeiro

O Brasil havia conquistado o direito de ficar em definitivo com o troféu Jules Rimet depois de vencer sua terceira Copa do Mundo, em 1970, no México, regra que valia para quem fosse tricampeão. A partir dali, a taça passou a ficar exposta na sede da Confederação Brasileira de Futebol, no Rio de Janeiro, guardada num armário com um lado de vidro e outro de madeira, na entrada do prédio.

Em 19 de dezembro de 1983, ladrões arrombaram a parte de madeira do armário onde a taça ficava guardada, usando um pé de cabra, e levaram o troféu embora. Diferentemente do episódio inglês, dessa vez o desfecho foi bem menos feliz: a peça nunca foi recuperada. Quatro homens acabaram condenados à revelia pelo crime, mas o suposto mandante, Sérgio Peralta, foi solto da prisão em 1998 e morreu em 2003, sem que o paradeiro da taça fosse esclarecido. A sede da CBF na época ficava no centro do Rio de Janeiro, num prédio com segurança considerada, à luz do ocorrido, insuficiente para guardar uma peça daquele valor histórico.

💡 Curiosidade

A teoria mais repetida é que o troféu foi derretido e vendido como barras de ouro. Só que investigadores brasileiros levantaram dúvidas sobre essa versão: a peça não era feita de ouro maciço, o que tornaria o derretimento pouco vantajoso, já que ela valeria muito mais intacta do que fundida.

Como resposta ao desaparecimento, a FIFA presenteou a CBF, em 1984, com uma réplica da taça original, hoje exibida no museu da entidade. O troféu Jules Rimet de verdade, aquele erguido por Pelé em 1970, segue sem paradeiro conhecido até hoje, mais de quatro décadas depois.

Desde 1974, aliás, a Copa do Mundo já não usa mais o modelo Jules Rimet. Depois do tricampeonato brasileiro, a FIFA passou a entregar um novo troféu, o atual, com o desenho de dois atletas erguendo o globo, que segue em uso até hoje. A taça antiga, porém, continua sendo lembrada, tanto pela elegância do desenho, criado pelo escultor francês Abel Lafleur, quanto pela dupla história de sumiço que carrega: uma resolvida por um cachorro farejador, a outra até hoje sem resposta. Poucas peças no esporte reúnem tanta história em tão pouco espaço quanto aquele bloco dourado, hoje perdido em algum lugar, se é que ainda existe.

Fontes: Wikipedia (roubo de 1966) e Wikipedia (roubo de 1983).

Este conteúdo pode ter sido produzido com auxílio de inteligência artificial e passou por curadoria jornalística da redação Futemais.

Compartilhar

Continue lendo

Anuncie aqui

Seja um parceiro Futemais

Sua marca visualizada por milhares de amantes do futebol todos os dias, na newsletter, no blog e nas redes sociais.