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Craque Neto foi craque mesmo? Veja os números do ídolo do Corinthians

Antes de virar um dos comentaristas mais barulhentos da TV, Neto foi camisa 10 e capitão do Corinthians, marcou de bicicleta numa final de Paulista e ainda substituiu Pelé no jogo de despedida do Rei. Veja os números que respondem se o apelido tinha fundamento.

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Redação Futemais
4 min de leitura

⚡️ Leitura dinâmica

  • Neto foi revelado pelo Guarani e marcou de bicicleta na final do Paulista de 1988, contra o Corinthians, clube do qual viraria ídolo no ano seguinte.
  • Pelo Corinthians, somou 229 jogos e 80 gols nas duas passagens, e foi camisa 10 do primeiro título brasileiro da história do clube, em 1990.
  • Ele é um dos poucos jogadores a vestir a camisa dos quatro grandes de São Paulo, e ficou conhecido como especialista em bola parada.
  • Em 1990, entrou no lugar de Pelé no jogo de despedida do Rei, no San Siro, e marcou o gol do Brasil de falta.
  • Nunca disputou uma Copa do Mundo: ficar fora da lista de 1990 rendeu até uma música de Tom Zé em tom de protesto.

Poucos apelidos do futebol brasileiro geram tanta discussão quanto o de Craque Neto. Hoje mais conhecido pela voz alta nos programas esportivos, ele foi camisa 10 e capitão do Corinthians, e a pergunta que a torcida rival adora fazer é sempre a mesma: era craque mesmo, ou o apelido é autopromoção? Os números respondem.

A bicicleta que colocou Neto na capa da Placar

Neto foi revelado pelo Guarani e, em 1988, levou o clube de Campinas à final do Campeonato Paulista contra o Corinthians. No primeiro jogo da decisão, aos 45 minutos do primeiro tempo, marcou um gol de bicicleta que virou símbolo da carreira. A partida terminou 1 a 1, com empate corintiano de Édson Boaro.

O Guarani acabou vice: na volta, no Brinco de Ouro, o 0 a 0 no tempo normal foi desfeito por Viola na prorrogação, e o título ficou com o Corinthians. Mas o gol já tinha feito seu trabalho. O desempenho chamou a atenção do Palmeiras, que o contratou para a temporada seguinte.

💡 Curiosidade

A bicicleta rendeu a Neto a capa da revista Placar, com a manchete "Golpe de Mestre". Curiosamente, o gol foi contra o clube onde ele viraria ídolo poucos meses depois.

Os números de Neto pelo Corinthians

Foi em 1989 que Neto finalmente chegou ao Corinthians, e ali construiu a identificação que sustenta o apelido até hoje. Somando as duas passagens, entre 1989 e 1993 e depois entre 1996 e 1997, os levantamentos mais citados apontam 229 jogos e 80 gols.

Pelo Timão, foi campeão brasileiro em 1990, campeão da Supercopa do Brasil em 1991 e campeão paulista em 1997. O título de 1990 é o mais lembrado: foi o primeiro Campeonato Brasileiro da história do clube, com Neto como camisa 10 e principal jogador do elenco.

Um dos poucos a jogar nos quatro grandes de São Paulo

Neto conseguiu uma marca rara no futebol paulista: vestiu a camisa dos quatro grandes do estado. Além do Corinthians, jogou por São Paulo, Palmeiras e Santos.

A lista de clubes vai bem além disso. Ele passou também por Millonarios, da Colômbia, Atlético-MG, Bangu, Paulista de Jundiaí, Matsubara e Araçatuba. Em todos eles, ficou conhecido pela mesma característica.

O especialista em bola parada

Neto foi um exímio cobrador de faltas, e esse é o ponto em que nem quem questiona a idolatria costuma discordar. Boa parte dos seus 80 gols pelo Corinthians saiu de bola parada.

Com alguma frequência, ele também marcava gols olímpicos, aqueles feitos direto da cobrança de escanteio, algo raro no futebol em qualquer época. Era o tipo de jogador em que a falta perto da área virava chance real de gol, não apenas uma jogada de bola alçada na área.

A passagem pela Seleção Brasileira

Pela Seleção, Neto entrou em campo 26 vezes e marcou 7 gols. No currículo estão três campanhas de destaque:

  • Medalha de prata na categoria sub-23 nos Jogos Pan-Americanos de Caracas, em 1983.
  • Medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988.
  • Vice-campeão da Copa América de 1991.

O dia em que Neto substituiu Pelé

Em 31 de outubro de 1990, no San Siro, em Milão, foi realizado o jogo de despedida de Pelé, que completava 50 anos: uma Seleção Brasileira contra uma Seleção do Mundo. O Rei entrou em campo pela última vez com a camisa amarela, jogou 42 minutos e saiu ainda no primeiro tempo.

Quem entrou no lugar dele foi Neto. E foi Neto quem marcou o único gol brasileiro na partida, de falta, na derrota por 2 a 1.

💡 Curiosidade

Os gols da Seleção do Mundo naquele jogo foram de dois craques europeus: o espanhol Michel e o romeno Gheorghe Hagi.

Craque Neto jogou Copa do Mundo?

Não. Apesar de ser um dos melhores jogadores do futebol brasileiro no fim dos anos 1980 e começo dos 1990, Neto nunca disputou uma Copa do Mundo.

A ausência mais comentada foi a de 1990, na Itália, quando ele ficou fora da lista de Sebastião Lazaroni. A decisão surpreendeu o país, ainda mais porque a Seleção fez naquele Mundial uma de suas piores campanhas, eliminada nas oitavas pela Argentina. Neto afirma até hoje carregar mágoa do episódio.

A revolta virou até música: o compositor Tom Zé, corintiano, escreveu Neto, Craque da Copa, em tom irônico, justamente por causa da não convocação. Ele está longe de ser o único grande nome barrado de um Mundial por decisão técnica, e o Futemais já reuniu outros casos em jogadores que nunca jogaram uma Copa do Mundo, mas mereciam.

O fim da carreira

Neto encerrou a carreira no Deportivo Italchacao, da Venezuela, aos 33 anos. Os levantamentos sobre o total da carreira divergem, indo de cerca de 470 a 486 partidas, com contagens de gols que variam bastante conforme a fonte.

O que não varia é o registro no Corinthians, e é ali que a resposta à pergunta do título aparece: gols decisivos, três títulos, o primeiro Brasileiro da história do clube e uma especialidade em bola parada que ninguém contesta. A Copa que faltou continua sendo o grande "e se" da carreira, mas não apaga o que ele fez em campo antes de virar um dos nomes mais discutidos da televisão brasileira.

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