Rivaldo com o troféu de melhor do mundo de 1999. Foto: reprodução

Rivaldo em 1999: o ano que fez dele o melhor do mundo

Em 1999, Rivaldo venceu o prêmio de melhor jogador do mundo da FIFA com uma folga que hoje parece implausível: 535 pontos contra 194 do segundo colocado. Veja o que ele fez naquele ano e como terminou uma carreira que teve duas aposentadorias.

Logo Futemais
Redação Futemais
4 min de leitura

⚡️ Leitura dinâmica

  • Rivaldo foi eleito melhor jogador do mundo pela FIFA em 1999, com 535 pontos contra 194 de David Beckham, o segundo colocado.
  • Naquele ano ele foi bicampeão espanhol com o Barcelona e artilheiro e melhor jogador da Copa América vencida pelo Brasil.
  • Em 2001, contra o Valencia, marcou três gols na última rodada do Espanhol, o último de bicicleta, e garantiu a vaga do Barcelona na Champions.
  • Na Copa de 2002 formou o trio 3R com Ronaldo e Ronaldinho, marcou cinco gols e balançou a rede em todos os jogos da fase de grupos.
  • Aposentou-se duas vezes: parou em 2014, voltou em 2015 pelo Mogi Mirim, marcou no mesmo jogo que o filho e encerrou de vez em agosto daquele ano, aos 43.

Quando se pergunta em que ano Rivaldo foi o melhor do mundo, a resposta é 1999. O que a resposta curta não conta é o tamanho da vantagem: ele recebeu 535 pontos na votação da FIFA, contra 194 de David Beckham, o segundo colocado. Não foi disputa apertada, foi atropelo.

Este é o retrato daquele ano, e do que veio antes e depois dele.

Do Mogi Mirim ao Palmeiras

Rivaldo Vítor Borba Ferreira começou no Mogi Mirim, no início dos anos 1990, passou pelo Corinthians e se firmou no Palmeiras. Foi campeão brasileiro em 1994, ainda jovem, e daquele elenco saiu para a Europa.

A chegada ao Barcelona

O primeiro destino europeu foi o Deportivo La Coruña, em 1996, onde a temporada de estreia foi suficiente para chamar a atenção dos clubes grandes da Espanha. Em 1997 o Barcelona o contratou, em uma transferência avaliada na época em torno de 25,7 milhões de dólares, algo próximo de 20,6 milhões de libras, quase o dobro do que o Deportivo havia pagado por ele.

Vale um cuidado com uma informação que circula errada: valores dessa transferência aparecem às vezes convertidos em euros, moeda que só entrou em circulação anos depois. Os números da época foram registrados em dólar, libra e peseta.

No Barcelona, Rivaldo foi artilheiro do Campeonato Espanhol e peça central de um time campeão nacional em 1998 e novamente em 1999.

1999: o ano do prêmio

Dois movimentos explicam a eleição. No clube, o bicampeonato espanhol. Na seleção, a Copa América de 1999, vencida pelo Brasil, em que ele foi ao mesmo tempo artilheiro e eleito o melhor jogador do torneio.

É a combinação que jurado de premiação individual costuma recompensar: rendimento alto e constante no clube, somado a protagonismo em título de seleção no mesmo calendário.

💡 Curiosidade

Aquele foi o segundo ano seguido de domínio brasileiro no prêmio da FIFA, num período em que o Brasil emplacou uma sequência de vencedores. A diferença de 341 pontos sobre o segundo colocado está entre as mais largas já registradas na história da premiação.

A bicicleta contra o Valencia

O lance mais lembrado da carreira dele não é de 1999, e sim de 2001. Na última rodada do Campeonato Espanhol, o Barcelona precisava vencer o Valencia para garantir vaga na Liga dos Campeões.

Rivaldo marcou os três gols da vitória por 3 a 2. O terceiro, nos minutos finais, foi de bicicleta de fora da área, e virou uma das imagens mais reproduzidas da história recente do clube. Um jogo, três gols, uma vaga na Champions e um gol que sobreviveu ao tempo.

A Copa de 2002 e o trio 3R

Na campanha do pentacampeonato, Rivaldo formou com Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho o trio que ficou conhecido como 3R. Ele terminou o Mundial com cinco gols e marcou em todos os jogos da fase de grupos.

Nas fases decisivas, apareceu de outras formas além do gol: participou das jogadas dos dois gols brasileiros na final contra a Alemanha, uma delas com um corta-luz que abriu o espaço para o segundo. Não é o tipo de contribuição que entra na súmula, mas decidiu.

Milan, Grécia e o retorno ao Brasil

Depois da Copa, foi para o Milan, onde conquistou a Liga dos Campeões de 2003, único título europeu de clubes da carreira dele. A passagem foi difícil em minutagem, com Kaká e Rui Costa disputando a mesma região do campo.

Entre 2004 e 2007 viveu uma fase produtiva no Olympiacos, com três campeonatos gregos e duas Copas da Grécia. Depois passou por outros clubes fora do eixo europeu antes de voltar ao Brasil.

As duas aposentadorias

Aqui está a parte que quase toda retrospectiva erra. Rivaldo se aposentou duas vezes.

A primeira foi no início de 2014, quando parou de atuar profissionalmente. Ele era, desde 2008, presidente do Mogi Mirim, o clube onde havia começado.

Em junho de 2015, depois de mais de um ano fora dos gramados, voltou a se registrar como jogador do próprio clube que presidia. Em 14 de julho de 2015, numa vitória de 3 a 1 sobre o Macaé pela Série B, aconteceu a cena que justifica a volta: Rivaldo e o filho, Rivaldinho, marcaram no mesmo jogo.

Em julho ele deixou a presidência para seguir apenas como atleta. Em agosto de 2015, aos 43 anos, anunciou a aposentadoria definitiva, sem disposição para continuar tratando o joelho direito com infiltração a cada rodada. A última partida foi no dia 15, contra o Luverdense.

Fica um currículo com Copa do Mundo, Copa América, Liga dos Campeões, campeonatos nacionais em três países e o prêmio de melhor do mundo. E fica também um encerramento que poucos jogadores conseguem escrever: o último ato em campo foi dividir o placar com o próprio filho.

Compartilhar

Continue lendo

Anuncie aqui

Seja um parceiro Futemais

Sua marca visualizada por milhares de amantes do futebol todos os dias, na newsletter, no blog e nas redes sociais.