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Botafogo: a fusão de 1942 e a maior invencibilidade do Brasil

O Botafogo que existe hoje é resultado da fusão, em 1942, de um clube de remo de 1894 com um clube de futebol de 1904. Entre 1977 e 1978, ficou 42 jogos sem perder no Campeonato Brasileiro, recorde que ninguém superou.

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Redação Futemais
3 min de leitura

⚡️ Leitura dinâmica

  • O Botafogo atual nasceu da fusão entre o Club de Regatas Botafogo, de 1894, e o Botafogo Football Club, de 1904.
  • A fusão aconteceu em 8 de dezembro de 1942 e criou o Botafogo de Futebol e Regatas.
  • O primeiro título nacional veio na Taça Brasil de 1968, competição que antecedeu o Campeonato Brasileiro no formato atual.
  • Entre 16 de outubro de 1977 e 16 de julho de 1978, o clube ficou 42 jogos sem perder na Série A, com 25 vitórias e 17 empates.
  • Essa sequência segue sendo a maior invencibilidade da história do Campeonato Brasileiro.

Uma pergunta simples costuma confundir até torcedor antigo: quando o Botafogo foi fundado? A resposta honesta é que depende de qual Botafogo se está falando, porque foram dois.

Dois clubes, um nome

O Club de Regatas Botafogo nasceu em 1894, dedicado ao remo, que era então um dos esportes mais populares do Rio de Janeiro. O Botafogo Football Club surgiu dez anos depois, em 1904, para o futebol.

Os dois conviveram por quase quatro décadas, com o mesmo nome de bairro e o mesmo público, até que em 8 de dezembro de 1942 se fundiram e formaram o Botafogo de Futebol e Regatas, a instituição que existe hoje.

É por isso que o clube carrega duas datas e a estrela solitária no escudo convive com a tradição do remo.

O primeiro título nacional

O Botafogo conquistou seu primeiro campeonato nacional na Taça Brasil de 1968, torneio que organizava o futebol brasileiro em âmbito nacional antes do formato de pontos corridos que conhecemos.

Era o auge de uma geração histórica, montada em torno de jogadores que definiram o estilo do clube e que também vestiram a seleção brasileira nos anos 1960.

Os 42 jogos sem perder

O feito mais impressionante do clube, porém, não é um título. É uma sequência.

Entre 16 de outubro de 1977 e 16 de julho de 1978, o Botafogo passou 42 partidas sem perder no Campeonato Brasileiro, somando 25 vitórias e 17 empates. É a maior invencibilidade da história da Série A, e nenhum clube conseguiu superá-la desde então.

Vale entender o tamanho disso. Foram nove meses de calendário sem uma derrota, atravessando duas edições do campeonato, contra adversários de todas as regiões do país e num período em que o Brasileirão tinha um número altíssimo de participantes e viagens longas.

💡 Curiosidade

A invencibilidade de 42 jogos é frequentemente confundida com título, mas não terminou em taça. É um dos casos mais claros de como o futebol de mata-mata e o de pontos corridos medem coisas diferentes: o Botafogo daquele período foi o time mais difícil de bater do país e mesmo assim não levantou o troféu, porque não perder e vencer o campeonato são desafios distintos.

A geração que também era a seleção

Os anos 1960 são o auge do clube, e por um motivo que vai além dos títulos: o Botafogo daquele período fornecia a espinha dorsal da seleção brasileira campeã do mundo em 1958 e 1962.

Ali jogaram Garrincha, Nilton Santos, Didi, Zagallo, Jairzinho e Manga. Garrincha soma 608 partidas e 245 gols pelo clube, com três Campeonatos Cariocas, em 1957, 1961 e 1962. Nilton Santos, apelidado de Enciclopédia do Futebol, passou praticamente duas décadas no Botafogo.

É uma concentração de talento que praticamente não se repetiu no futebol brasileiro: um único clube de bairro sustentando o ataque e a defesa de uma seleção bicampeã mundial.

1995, o último título nacional

O segundo e mais recente título brasileiro veio em 1995, na decisão contra o Santos, resolvida com vitória no Maracanã e empate no Pacaembu.

O personagem foi Túlio Maravilha, artilheiro daquele Campeonato Brasileiro com 23 gols. Curiosamente, Túlio viria a protagonizar anos depois a mesma discussão de contagem de gols que cerca a marca dos mil de Romário.

Alto e baixo no mesmo século

A trajetória seguinte tem oscilações duras, incluindo crises financeiras severas e queda para a segunda divisão, algo que várias potências do futebol brasileiro também enfrentaram, como o São Paulo em outra época.

O que sustenta o clube nesses períodos é a mesma coisa que sustentou a fusão de 1942: uma identidade construída em torno de um bairro, de uma estrela e de uma ideia de futebol que a torcida reconhece mesmo quando o resultado não vem.

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