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História do Atlético Mineiro: da fundação em 1908 à Arena MRV

Fundado em 1908, o Galo venceu o primeiro Brasileirão da história em 1971 com Telê Santana, esperou 41 anos pela Libertadores de 2013 e inaugurou casa própria em 2023. Um retrato completo, incluindo as polêmicas que o clube não esconde.

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Redação Futemais
8 min de leitura

⚡️ Leitura dinâmica

  • O Atlético Mineiro foi fundado em 1908 e venceu em 1971, com Telê Santana, a primeira edição do Campeonato Brasileiro no formato que originou o torneio atual.
  • A Libertadores de 2013 veio numa final dramática contra o Olimpia: derrota por 2 a 0 fora, vitória por 2 a 0 na prorrogação e 4 a 3 nos pênaltis.
  • Ronaldinho Gaúcho disputou as 14 partidas daquela campanha, com 4 gols e 9 assistências.
  • A Arena MRV foi inaugurada em 15 de abril de 2023, e a primeira partida oficial com torcida foi em 27 de agosto, vitória por 2 a 0 sobre o Santos.
  • O primeiro clássico contra o Cruzeiro aconteceu em 1921, mesmo ano de fundação do rival, então chamado Palestra Itália.

O Clube Atlético Mineiro é um dos clubes mais vitoriosos do futebol brasileiro, e um dos que carregam a relação mais intensa com a própria torcida. Esta é a trajetória completa do Galo, da fundação em 1908 à Arena MRV, passando pelos títulos, pela rivalidade que define o futebol mineiro e pelas polêmicas que o clube não costuma esconder.

Fundação e primeiros anos

A fundação, em 1908

O Clube Atlético Mineiro foi fundado em 1908, quando um grupo de jovens de Belo Horizonte se reuniu para criar uma equipe que representasse a cidade, então recém-planejada e em plena formação. O futebol crescia no Brasil e as capitais queriam seus clubes.

Os primeiros desafios

O futebol brasileiro ainda estava se organizando, e os clubes enfrentavam falta de estrutura, de campo e de dinheiro. Mesmo assim, o Atlético se firmou como força em Minas Gerais e adotou o preto e branco, cores que se tornariam parte central da identidade alvinegra.

Rivalidade e identidade

A consolidação do clube caminhou junto com a formação de uma rivalidade que definiria o estado. O confronto com o Cruzeiro foi ganhando peso e ajudou a fortalecer o futebol mineiro como um todo, dando à disputa local uma dimensão nacional.

Os títulos mais importantes

O Brasileiro de 1971

O Atlético venceu o Campeonato Brasileiro de 1971, a primeira edição do torneio nacional no formato que deu origem ao campeonato atual. O time era comandado por Telê Santana, e o título marcou a entrada definitiva do clube no cenário nacional.

Conquistas no cenário internacional

A maior delas é a Copa Libertadores de 2013. Com Ronaldinho Gaúcho como camisa 10 e atuações decisivas do goleiro Victor, o Galo superou a final contra o Olimpia, do Paraguai, num roteiro que virou lenda: perdeu o jogo de ida por 2 a 0 no Paraguai, venceu a volta por 2 a 0 na prorrogação e ganhou nos pênaltis por 4 a 3.

Outras conquistas de destaque

O clube também levantou a Copa CONMEBOL em 1992 e 1997, torneio continental relevante à época, e voltou a ser campeão brasileiro em 2021, meio século depois do primeiro, em temporada que incluiu também a Copa do Brasil.

A rivalidade com o Cruzeiro

O Clássico Mineiro

A rivalidade entre Atlético e Cruzeiro é uma das mais intensas do país. O clássico movimenta o estado inteiro e vai muito além dos noventa minutos, envolvendo história, origem social e disputa por hegemonia em Belo Horizonte.

O início da rivalidade

O primeiro encontro entre os dois foi em 1921. O Atlético, fundado em 1908, já era força consolidada quando o então Palestra Itália foi criado, no mesmo ano de 1921, pela colônia italiana da cidade. Ou seja: a rivalidade nasce com uma assimetria de idade e de origem que ela nunca deixou de carregar.

A paixão das torcidas

As arquibancadas de Belo Horizonte se dividem entre alvinegros e celestes em dia de clássico, e a temperatura da disputa faz do Mineirão um dos ambientes mais barulhentos do futebol brasileiro.

A rivalidade no século 21

A disputa segue decidindo campeonatos e posições. O Atlético conquistou o Brasileiro de 2021 no mesmo período em que o Cruzeiro tentava se recuperar de uma crise que o levara à Série B, um desequilíbrio que só aumentou a carga simbólica de cada confronto.

O Atlético na Libertadores

Uma história de superação

A trajetória do Galo na Libertadores é marcada por tentativas frustradas antes do título. O clube precisou de várias campanhas até chegar em 2013, e é isso que dá ao troféu o peso que ele tem para a torcida.

As primeiras participações

A estreia veio em 1972, garantida pelo título brasileiro do ano anterior. A campanha não passou da fase de grupos, mas deu ao clube a primeira medida do que a competição exigia.

A chegada de Ronaldinho e a virada de chave

Em 2012, o Atlético contratou Ronaldinho Gaúcho, e a mudança foi tanto técnica quanto de mentalidade. Naquele ano o time foi vice-campeão brasileiro, o que garantiu a vaga na Libertadores seguinte. Em 2013, Ronaldinho disputou as 14 partidas do clube na competição, com 4 gols e 9 assistências, e o título finalmente veio.

Dos campos de Lourdes à Arena MRV

A trajetória dos estádios

A história do clube está ligada aos lugares onde jogou, dos primeiros jogos no campo de Lourdes até o Mineirão, que por décadas foi a casa dos dois grandes de Belo Horizonte.

A Arena MRV

O estádio próprio foi inaugurado em 15 de abril de 2023, depois de quase três anos de obras. A primeira partida oficial com torcida aconteceu em 27 de agosto de 2023, uma vitória por 2 a 0 sobre o Santos, com dois gols de Paulinho. Ter casa própria mudou a economia do clube, que deixou de dividir renda em estádio administrado por terceiros.

O Galo de Prata

O que é a comenda

Criado em 1999, o Galo de Prata é a maior homenagem do clube, entregue a pessoas e instituições com papel relevante na história alvinegra.

Quem recebe

A lista inclui ex-jogadores, dirigentes, profissionais de imprensa e torcedores, o que faz da comenda um retrato de como o clube enxerga a própria trajetória, dentro e fora de campo.

As categorias de base

Revelações e formação

A base sempre teve papel central na história do Atlético, revelando jogadores que chegaram à seleção brasileira e ao futebol europeu. Formar em casa foi, por muitos períodos, a única forma de o clube competir com quem tinha mais dinheiro.

Desafios para o futuro

Manter a produção constante ficou mais difícil. A concorrência com centros de formação estruturados, como os de São Paulo e Flamengo, exige do Galo não apenas investimento, mas metodologia, o que muda a natureza da disputa: hoje se compete por método, não só por olheiro.

A evolução tática ao longo das décadas

As primeiras décadas: o estilo direto

Nos primeiros anos, o Atlético jogava como a maioria dos clubes brasileiros da época, em formações como o 2-3-5, com defesa mínima e cinco homens à frente. A bola ia rápido para o ataque, e a noção de meio-campo como setor de controle mal existia.

Anos 1970: Telê Santana e o 4-2-4

Nos anos 1970, Telê Santana, que comandou o clube em diferentes passagens entre 1970 e 1988, trouxe o 4-2-4. O esquema reforçava a defesa sem abrir mão da vocação ofensiva e permitia transições rápidas. Foi com ele que veio o título de 1971.

Vale a correção de um erro que circula: Cuca não tem relação com esse período, apesar de o nome dele às vezes aparecer associado aos anos 1970. Ele nasceu em 1963 e só assumiria o Atlético décadas depois.

Anos 1990: futebol reativo e contra-ataque

O futebol brasileiro passou a valorizar o jogo reativo, e o 4-4-2 virou padrão: defesa compacta, marcação em bloco e saída rápida em velocidade. O Atlético acompanhou a tendência.

Anos 2010: a chegada de Cuca e o jogo posicional

Cuca assumiu em 2011 e trouxe uma abordagem mais moderna, alternando entre 4-2-3-1 e 4-3-3 conforme o adversário. Essa flexibilidade foi decisiva para a Libertadores de 2013, e ele voltaria ao clube para conquistar o Brasileiro e a Copa do Brasil de 2021.

Atualidade: versatilidade como regra

O time passou a alternar entre 4-3-3 e 3-5-2 dentro da mesma partida, com foco em dominar o meio e usar a velocidade pelos lados. É a tendência geral do futebol contemporâneo, em que formação fixa deixou de existir e o desenho muda conforme a fase do jogo.

As maiores polêmicas da história do clube

Decisões de campeonato e arbitragem

A mais lembrada envolve o Campeonato Brasileiro de 1980, na decisão contra o Flamengo, marcada por expulsões e por decisões de arbitragem contestadas até hoje pela torcida alvinegra. É o tipo de episódio que atravessa gerações sem nunca ser encerrado.

A questão da Taça das Bolinhas

O troféu foi criado em 1975 pela CBD, oferecido pela Caixa Econômica Federal, destinado ao primeiro clube que vencesse o Campeonato Brasileiro três vezes seguidas ou cinco alternadas a partir daquele ano.

O Atlético aparece na discussão, mas o centro da disputa está entre outros clubes. O Futemais já destrinchou o assunto em uma matéria dedicada ao troféu, e vale a leitura para entender por que a briga nunca terminou.

O rebaixamento de 2005

Em 2005, o clube foi rebaixado à Série B, episódio que gerou críticas duras à gestão e ao desempenho em campo, e que funciona até hoje como marco divisor na memória da torcida.

A gestão de Alexandre Kalil

Ex-presidente do clube, Kalil conduziu o Atlético à Libertadores de 2013, mas sua administração foi marcada por tensões e por acusações de postura centralizadora. É um caso em que resultado esportivo e método de gestão são avaliados de formas opostas pela mesma torcida.

A Arena MRV e o licenciamento

A construção do estádio próprio enfrentou oposição no processo de licenciamento ambiental, com grupos defendendo a preservação de áreas verdes da cidade. O clube obteve a liberação das autoridades, mas o debate acompanhou a obra do começo ao fim.

A Massa: a força da torcida alvinegra

A torcida do Atlético, conhecida como Massa, é um dos pilares que sustentam o clube, e a relação entre as duas partes é mais estreita do que a média do futebol brasileiro.

Em vários períodos, incluindo a Série B de 2005 e a caminhada até 2013, foi o comparecimento da torcida que segurou o clube financeira e emocionalmente. É por isso que a expressão vai além do apoio: a Massa se enxerga como parte da instituição, e o clube retribui tratando-a assim.

💡 Curiosidade

O Atlético é 13 anos mais velho que o Cruzeiro, e o primeiro clássico entre os dois aconteceu em 1921, mesmo ano de fundação do rival, que então se chamava Palestra Itália. Ou seja: os dois maiores clubes de Belo Horizonte se enfrentaram já no primeiro ano de existência de um deles, e não pararam mais.

Um clube que não esconde a própria história

O que distingue a trajetória do Atlético não é apenas a lista de títulos, é a disposição de conviver publicamente com os episódios ruins. Rebaixamento, polêmicas de gestão, decisões perdidas e obras contestadas fazem parte da narrativa que a própria torcida conta.

É uma história de clube grande que nunca teve caminho fácil, e talvez seja exatamente isso que explica a intensidade da relação com a Massa.

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